Marco Rubio inicia giro pela América Latina na Colômbia para estreitar laços

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Redação

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, desembarca na Colômbia nesta terça-feira, 8. A agenda marca a primeira parada de uma viagem oficial por nações sul-americanas que também contempla o Equador e o Peru, territórios cujos governos mantêm forte alinhamento com a gestão do presidente norte-americano, Donald Trump.

Conforme comunicado divulgado pelo Departamento de Estado, a missão diplomática tem como prioridades centrais “reforçar a cooperação na luta conjunta contra o narcoterrorismo” e “aprofundar as relações comerciais” com os governos parceiros da região.

Washington encontrou um novo parceiro estratégico na América do Sul após a posse do presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, eleito em junho. O mandatário colombiano, conhecido por sua postura de linha-dura contra a criminalidade e por se declarar um admirador de Trump, receberá Rubio em uma base militar localizada em Barranquilla.

A chegada de De la Espriella ao poder consolida uma guinada nas relações bilaterais, superando o período de instabilidade e atritos diplomáticos registrado entre Donald Trump e o ex-presidente Gustavo Petro.

- Publicidade-

Antes de embarcar, Rubio destacou a importância de construir laços duraderos com Bogotá. “Queremos ter uma relação de longo prazo”, declarou o chefe da diplomacia norte-americana a repórteres no aeroporto de Miami.

Logo em seu primeiro mês de gestão, o governo de De la Espriella implementou diretrizes enérgicas, incluindo o uso de bombardeios para desarticular cartéis do narcotráfico e a suspensão formal de diálogos de paz que haviam sido abertos pela administração anterior.

Como parte dessa nova fase de cooperação bilateral, autoridades colombianas autorizaram manobras militares conjuntas com os Estados Unidos. Em agosto, o comando militar do país recebeu o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos para alinhar táticas de repressão ao tráfico de entorpecentes. Além disso, a Colômbia integrou o Escudo das Américas, uma coalizão continental promovida por Washington para conter redes criminosas.

Esforços de reconstrução e alianças estratégicas

Além das pautas de segurança, o encontro em Barranquilla abordará o andamento das ações de socorro e reconstrução após o forte terremoto registrado em 10 de agosto, tragédia que provocou a morte de mais de 330 pessoas no território colombiano, segundo dados fornecidos pelo porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott.

O tremor causou extensos danos à infraestrutura pública e privada, destruindo unidades de ensino, hospitais e milhares de moradias. Diante da crise, De la Espriella pediu apoio logístico aos Estados Unidos e a remoção temporária de tarifas comerciais para acelerar a recuperação das áreas afetadas.

- Publicidade-

Para o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula, a visita representa um marco. O encontro “mostra o início da reconstrução de uma aliança estratégica com os EUA, nosso principal parceiro na região”, afirmou o chanceler em pronunciamento distribuído à imprensa.

Na sequência do roteiro sul-americano, Rubio seguirá para Quito, onde se reunirá com o presidente equatoriano, Daniel Noboa. O giro diplomático será encerrado em Lima, capital peruana, com um encontro oficial com a presidente do país, Keiko Fujimori.

De origem cubana, o secretário de Estado ressaltou que, desde o seu retorno ao comando da política externa norte-americana, a América Latina e o Caribe figuram entre as prioridades absolutas da administração de Donald Trump, indicando que pretende realizar novas visitas à região no futuro.

- Publicidade-

A retomada da influência regional e a Doutrina ‘Donroe’

Desde o início do novo mandato de Trump em janeiro do ano passado, diversos governos sul-americanos e centro-americanos — incluindo países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador e Honduras — promoveram ou consolidaram transições rumo a administrações conservadoras.

O movimento reflete o empenho de Washington em ampliar sua projeção geopolítica na América Latina sob a diretriz informal apelidada de “doutrina Donroe”, uma junção do prenome de Donald Trump com o sobrenome de James Monroe, presidente histórico que estabeleceu o continente americano como zona de influência exclusiva norte-americana há mais de duzentos anos.

A ofensiva diplomática ocorre em um momento de reconfiguração regional, impulsionada pela captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, ocorrida em janeiro durante uma incursão militar em Caracas. A viagem também sucede o anúncio de um pacto com o governo interino venezuelano que assegura aos Estados Unidos o controle majoritário sobre reservas superiores a 65 bilhões de barris de petróleo.

Segundo Rubio, esses ativos energéticos “estavam sob o controle de China, Rússia e Irã” e, por isso, “estarão muito melhor com os EUA”.

No Equador, a pauta central com Daniel Noboa girará em torno do combate ao narcotráfico, área na qual Quito atua como um dos principais parceiros de Washington. Recentemente, forças equatorianas e norte-americanas intensificaram operações combinadas no Oceano Pacífico para interceptar embarcações suspeitas de ligação com cartéis criminosos, resultando no naufrágio de pelo menos cinco embarcações ao longo de uma única semana.

Fonte:: estadao.com.br

Compartilhe esta notícia