Ministério da Defesa pode ser chefiado por mulher pela primeira vez

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Servidora de carreira, Cinara Wagner Fredo é a ...

O Ministério da Defesa avalia a possibilidade de ser comandado por uma mulher pela primeira vez desde a sua criação, que ocorreu em 1999. A eventual mudança pode acontecer em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A atual secretária-geral da pasta, Cinara Wagner Fredo, surge como o principal nome cotado para assumir o cargo, tendo sido indicada pelo atual ministro, José Múcio Monteiro, para sucedê-lo. Múcio já manifestou o desejo de não permanecer na administração federal no futuro.

De acordo com a avaliação de José Múcio, o grande diferencial de Cinara reside no profundo conhecimento que ela já detém sobre a dinâmica interna do Ministério da Defesa, além do sólido relacionamento construído ao longo do tempo com a cúpula militar.

O atual chefe da pasta destaca que a secretária-geral acumula vasta experiência administrativa, competência técnica e facilidade de trânsito entre os representantes das Forças Armadas. A escolha dela representaria uma transição suave, evitando qualquer ruptura brusca na administração do órgão.

A hipótese de colocar uma mulher civil no comando da pasta possui forte peso político para o governo federal. Desde a fundação do ministério, o posto foi ocupado exclusivamente por homens.

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A possível nomeação também funcionaria como um reconhecimento oficial à crescente inserção feminina nas estruturas militares. Vale destacar que, a partir de 2026, as Forças Armadas abriram espaço para o alistamento voluntário de mulheres no serviço militar inicial, ampliando a representatividade delas no setor de segurança e defesa.

Apesar da forte recomendação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não bateu o martelo sobre o tema. O chefe do Executivo analisa diferentes alternativas e também pondera a substituição dos atuais comandantes das Forças Armadas. Como parte desse processo de avaliação, o presidente pretende consultar os chefes atuais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além de ouvir seus principais conselheiros políticos antes de tomar qualquer decisão definitiva.

Trajetória de Cinara Wagner Fredo, favorita ao cargo

Cinara Wagner Fredo construiu sua carreira como servidora pública efetiva do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), onde atua formalmente como técnica do Seguro Social. Sua trajetória profissional é predominantemente voltada para funções administrativas e de governança na administração pública federal.

No âmbito acadêmico, formou-se em Direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e concluiu mestrado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Também possui qualificações internacionais em Direção e Gestão de Sistemas de Seguridade Social e em Direção e Gestão de Planos e Fundos de Pensão, obtidas na Universidade de Alcalá, na Espanha.

Dentro do setor de defesa, especializou-se em Política, Estratégia e Altos Estudos em Defesa pela Escola Superior de Guerra (ESG), órgão integrado ao Ministério da Defesa.

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Antes de alcançar o posto atual, Cinara passou por diversas instâncias do governo federal. Entre 2016 e 2017, atuou como secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Posteriormente, esteve à frente da Subsecretaria de Gestão da Previdência, entre 2017 e 2019, e da Subsecretaria de Assuntos Corporativos da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, de 2019 a 2021.

Durante a gestão de Jair Bolsonaro, integrou a equipe do Ministério da Cidadania, exercendo o papel de secretária-executiva adjunta entre 2021 e 2022.

Já em 2023, integrou a Secretaria de Governo Digital como chefe da Assessoria de Apoio à Gestão, antes de ser transferida para a estrutura do Ministério da Defesa como secretária-geral adjunta, posição que ocupou até 2025, quando assumiu oficialmente a titularidade da Secretaria-Geral.

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Caso seja efetivada no cargo de ministra, Cinara terá o desafio de gerir uma das áreas mais estratégicas do governo, encarregada de coordenar as diretrizes de Defesa Nacional e manter o diálogo constante com as três forças militares.

Outros nomes cotados para a pasta

Embora Cinara desfrute de preferência na avaliação de José Múcio, o debate sobre a sucessão na Defesa também inclui outras figuras femininas.

Entre elas está a ministra Maria Elizabeth Rocha, que preside o Superior Tribunal Militar (STM) e foi pioneira ao se tornar a primeira mulher a liderar a Corte Militar, acumulando vasta bagagem jurídica ligada às questões castrenses.

Outro perfil frequentemente citado é o da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet. Reconhecida por sua atuação política moderada e facilidade de articulação com diferentes correntes, ela também figura nas análises preliminares de aliados do governo.

Contudo, a definição final depende de entendimentos políticos conduzidos diretamente pelo presidente com seus ministros e com os comandantes militares, visto que a gestão busca evitar resistências expressivas dentro dos quartéis.

Fonte:: ric.com.br

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