Você sabia que a disputa judicial entre figuras conhecidas da televisão e da música brasileira ganhou novos desdobramentos recentemente? O apresentador Carlos Massa, amplamente conhecido como Ratinho, apresentou formalmente à Justiça a sua defesa no processo movido pelo renomado músico e compositor Chico Buarque. A ação judicial teve origem após declarações feitas pelo contratado do Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT, nas quais associou o artista a um suposto favorecimento relacionado a recursos obtidos por meio da Lei Rouanet.
Na contestação apresentada por sua equipe jurídica, Ratinho sustentou de forma firme que as manifestações públicas por ele realizadas possuem sólida base factual. O apresentador argumentou perante o Poder Judiciário que o cantor possui, sim, histórico de ligações com políticas públicas voltadas ao incentivo e fomento à cultura no Brasil, o que justificaria os comentários feitos durante a sua atração televisiva.
Entre os principais pontos destacados pela defesa do apresentador está a menção à empresa Marola Edições Musicais LTDA, da qual Chico Buarque figuraria como sócio administrador. Conforme os argumentos expostos por Ratinho, a companhia captou R$ 800 mil através dos mecanismos da Lei Rouanet durante os anos de 2005 e 2006. Para a defesa, esse dado financeiro confere total fundamento à afirmação de que o compositor teria acessado verbas da referida lei de incentivo. Além disso, os advogados sustentaram que a empresa continuaria recebendo recursos por essa mesma via de financiamento público ao longo dos anos.
Outro elemento citado no documento entregue à Justiça diz respeito à premiação internacional recebida pelo músico, especificamente o Prêmio Camões. De acordo com a argumentação da defesa, metade do valor monetário associado à honraria teria origem em cofres públicos, sendo administrado por um órgão governamental vinculado diretamente ao Ministério da Cultura. O apresentador pontuou que tal circunstância entraria em contradição com declarações anteriores do compositor, nas quais ele teria afirmado nunca ter feito uso de verbas públicas em sua trajetória artística.
Os representantes legais de Ratinho também levantaram a tese de que o artista pode se beneficiar de maneira indireta dos incentivos da Lei Rouanet por meio do recebimento de direitos autorais. Isso ocorreria sempre que suas obras musicais fossem empregadas em espetáculos, produções cênicas, adaptações ou outras iniciativas culturais financiadas pelo dispositivo federal. Nesse sentido, o apresentador recordou a existência de dezenas de projetos artísticos espalhados pelo país que utilizam o repertório de Chico Buarque em suas encenações.
Diante de todas as acusações contidas na ação judicial, o apresentador negou veementemente a prática de qualquer conduta ilícita, reforçando que agiu estritamente dentro dos limites constitucionais da liberdade de expressão, do direito de opinião e da crítica jornalística e artística. Ratinho defendeu ainda que a destinação e a aplicação de verbas públicas devem constituir tema permanente de debate público, fiscalização democrática e interesse da sociedade civil organizada.
O litígio judicial teve início quando a equipe jurídica de Chico Buarque decidiu acionar os tribunais em resposta a comentários públicos nos quais o apresentador relacionou o posicionamento político do músico a supostos privilégios financeiros obtidos por intermédio da Lei Rouanet. Na fase inicial do processo, o magistrado responsável pelo caso determinou que o apresentador comprovasse a veracidade das afirmações proferidas ou realizasse uma retratação pública formal. Ao optar por manter o teor de suas declarações, Ratinho reuniu os elementos que agora compõem sua defesa técnica, buscando demonstrar perante a Justiça a justificativa para as opiniões externadas na televisão.
Fonte:: tvpop.com.br


