Nova agenda anticorrupção propõe 40 diretrizes para os estados brasileiros

Marcelo Borges
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A organização Transparência Internacional – Brasil apresentou nesta quinta-feira (29) um documento estratégico voltado para aprimorar a gestão pública nos governos estaduais do país. Intitulada “Agenda de Transparência e Combate à Corrupção para os Estados (2027–2030)”, a iniciativa reúne um conjunto de 40 recomendações práticas. O material tem como objetivo principal orientar futuras candidaturas, equipes de transição e gestores eleitos na construção de administrações mais íntegras, eficientes e transparentes para a população.

Embora tenham ocorrido avanços regulatórios nos últimos anos, os governos estaduais brasileiros ainda enfrentam lacunas expressivas no que diz respeito à transparência e à integridade administrativa. Casos recorrentes de desvios e escândalos de corrupção evidenciam a urgência de se institucionalizar políticas mais robustas. Essas medidas são consideradas essenciais para prevenir fraudes, assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e resgatar a credibilidade das instituições perante os cidadãos.

Para abranger as diversas áreas da administração pública, o documento divide as 40 recomendações em sete eixos temáticos fundamentais:

Transparência e dados abertos

Neste segmento, a Transparência Internacional – Brasil recomenda a ampliação na divulgação de dados financeiros e orçamentários detalhados. O texto reforça a necessidade de um cumprimento mais rigoroso da Lei de Acesso à Informação e a implementação efetiva de portais estaduais dedicados a dados abertos. Entre as sugestões estão a publicação obrigatória das agendas oficiais de autoridades públicas e a disponibilização de informações em formatos acessíveis, digitalizados e passíveis de reutilização pela sociedade civil.

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Mecanismos anticorrupção

O eixo foca na adoção de práticas de gestão ética, no estabelecimento de regras transparentes e objetivas para evitar conflitos de interesse e na exigência de critérios estritamente técnicos para a nomeação de cargos de confiança. Além disso, o documento defende a criação de canais seguros para a proteção efetiva de denunciantes e a aplicação rigorosa da legislação anticorrupção, com ênfase especial no fortalecimento da integridade em licitações e contratos firmados com o poder público.

Órgãos de controle interno

A agenda propõe garantir autonomia técnica e orçamentária para as controladorias, além da valorização das carreiras de auditoria e integridade no âmbito estadual. Outro ponto de destaque é o incentivo ao uso de tecnologias avançadas, a exemplo de ferramentas de inteligência artificial e análise massiva de dados, para otimizar a capacidade do Estado de prevenir e detectar irregularidades financeiras com maior rapidez.

Participação e controle social

Para aproximar a população das decisões governamentais, o plano sugere a criação de Conselhos Estaduais de Transparência e Combate à Corrupção, o avanço em políticas de governo aberto e o estabelecimento de mecanismos permanentes de participação cidadã na formulação e fiscalização do orçamento público, com atenção especial voltada para a inclusão de grupos historicamente vulnerabilizados.

Emendas parlamentares e obras públicas

Diante dos riscos associados ao direcionamento e à execução de verbas públicas, o documento alerta para a necessidade de maior rigor no acompanhamento de grandes obras de infraestrutura e de emendas parlamentares. A recomendação inclui a criação de portais específicos para o monitoramento físico e financeiro de obras, a publicação detalhada do destino das emendas e a exigência de padrões elevados de conformidade para a sua liberação.

Segurança pública e crime organizado

O texto aponta a importância de ampliar a transparência nas políticas e nos gastos voltados à segurança pública, fortalecer as corregedorias e ouvidorias das forças policiais, aprimorar investigações financeiras focadas na desarticulação do crime organizado e estabelecer salvaguardas rígidas para o uso de tecnologias de vigilância pelo Estado.

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Meio ambiente e mudanças climáticas

Por fim, o documento aborda a crise climática e a preservação ambiental, recomendando maior transparência nas políticas ecológicas, o combate implacável a crimes ambientais, a garantia de proteção legal para ativistas e defensores de direitos ambientais, e o fortalecimento institucional dos órgãos estaduais responsáveis pela fiscalização e pelas políticas de mitigação climática.

Fundamentação baseada em dados

Todo o conteúdo da nova agenda foi estruturado com base nas avaliações do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), em debates com especialistas renomados e em diretrizes estabelecidas por organismos nacionais e internacionais de referência, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

O ITGP, lançado inicialmente em 2022, tem a função de mensurar de forma objetiva o cumprimento de normas, políticas e práticas voltadas à transparência pelos governos estaduais brasileiros. Os levantamentos mais recentes apontam um cenário de progresso gradual, mas que ainda convive com vulnerabilidades estruturais alarmantes.

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Conforme os dados do ITGP de 2025, aproximadamente um a cada três indicadores voltados à transparência financeira e orçamentária deixa de ser cumprido pelos governos estaduais. Além disso, menos de um terço das administrações estaduais divulga de maneira completa dados relativos a incentivos fiscais e agendas públicas de autoridades, enquanto apenas um em cada seis estados publica informações abrangentes sobre a execução de suas emendas parlamentares.

Diante desse panorama, Renato Morgado, Diretor de Programas da Transparência Internacional – Brasil, ressaltou a relevância da publicação para o cenário político e social do país.

“A transparência e o combate à corrupção são condições fundamentais para que os governos estaduais ofereçam melhores serviços públicos essenciais em áreas como saúde, educação e segurança. Isso protege os recursos da sociedade contra desperdícios e desvios, fortalecendo a confiança nas instituições. Esperamos que esta agenda contribua para qualificar o debate eleitoral e sirva como um guia de referência para os próximos governos estaduais”, pontuou o diretor.

A expectativa da organização é que as diretrizes apresentadas sirvam de estímulo para que candidatos e futuros gestores públicos incorporem práticas de governança moderna, promovendo mudanças estruturais que reflitam diretamente na qualidade de vida da população brasileira.

Fonte:: transparenciainternacional.org.br

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