Os trabalhadores brasileiros que contam com os benefícios de vale-refeição e vale-alimentação estão prestes a ganhar maior flexibilidade no momento de quitar suas contas em estabelecimentos comerciais. Com a proximidade da implementação das novas diretrizes, estabelecida para o dia 7 de novembro, a expectativa é que os cartões passem a ser aceitos em qualquer terminal de pagamento eletrônico, a popular maquininha, independentemente da operadora emissora do plástico.
Essa transformação estrutural busca eliminar uma barreira histórica enfrentada tanto pelos consumidores quanto pelos comerciantes. Até então, era comum que restaurantes, lanchonetes, padarias, supermercados e mercearias precisassem acumular diversos equipamentos em seus balcões para conseguir atender a diferentes bandeiras de benefícios. Com a interoperabilidade, a promessa é unificar o processo e simplificar o dia a dia do comércio.
A iniciativa está alinhada às diretrizes do Programa de Alimentação do Trabalhador, o PAT. O Governo Federal avalia que a medida servirá como um forte estímulo à concorrência entre as empresas operadoras do setor, o que pode resultar em melhores condições para o mercado e, indiretamente, em vantagens para os usuários finais dos benefícios.
Além da facilidade de uso para os trabalhadores, a regulamentação traz mudanças significativas para a relação financeira entre os estabelecimentos e as emissoras dos cartões. Entre os pontos de destaque estão a imposição de limites para as taxas cobradas nas transações comerciais e a redução drástica no prazo de repasse do dinheiro das vendas, que agora passa a ser de até 15 dias. Historicamente, donos de comércios de alimentação vinham a público reclamar de prazos superiores a um mês para reaver o capital proveniente dessas vendas, o que comprometia o fluxo de caixa de pequenos e médios negócios.
Apesar do otimismo em torno das novas regras, entidades representativas do setor produtivo apontam que o cenário prático pode encontrar resistências iniciais. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel, tem manifestado preocupação quanto à prontidão tecnológica para a virada de chave. De acordo com a entidade, a integração completa entre os sistemas operacionais das empresas emissoras de cartões e as redes de credenciamento das maquininhas ainda não foi finalizada de forma plena, o que pode gerar instabilidades ou atrasos na aplicação integral das normas logo nos primeiros dias de vigência.
Outro ponto que merece atenção por parte dos empregados é que o montante financeiro creditado mensalmente pelas empresas permanece inalterado. As novas diretrizes não preveem nenhum tipo de reajuste, seja para mais ou para menos, no valor nominal do vale-refeição ou do vale-alimentação. O foco exclusivo da mudança reside na facilidade de transação e na ampliação da rede de aceitação comercial.
Especialistas e representantes do setor de serviços alertam que, devido à complexidade dos ajustes de tecnologia da informação necessários entre as corporações envolvidas, a transição para o modelo totalmente aberto deverá ocorrer de maneira gradual ao longo dos próximos meses. Desse modo, o consumidor poderá notar a aceitação de seu cartão em novos locais de forma progressiva, conforme as atualizações dos sistemas forem concluídas pelas empresas de pagamentos.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


