Uma força-tarefa ambiental desmobilizou um acampamento clandestino utilizado para a prática de caça ilegal no interior do Parque Estadual do Pau Oco, localizado no município de Morretes, na região litorânea do Paraná. A operação, divulgada pelo Instituto Água e Terra (IAT) nesta terça-feira (15), foi fruto de uma ação integrada que contou com a participação do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPAmb) e da Associação de Moradores e Guardiães das Nascentes do Rio Pequeno.
De acordo com os órgãos competentes, a área vinha sendo monitorada de perto desde março deste ano. A deflagração da operação ocorreu após pesquisadores que atuavam na região emitirem alertas sobre indícios e relatos de abate de animais silvestres durante trabalhos de campo, o que mobilizou imediatamente as autoridades de segurança pública e fiscalização ambiental.
A estrutura montada pelos suspeitos possuía aproximadamente 20 metros quadrados e estava estrategicamente posicionada em um trecho de difícil acesso da Unidade de Conservação (UC). O local não contava com vias rodoviárias de ligação e situava-se bem às margens do Rio Pau-Oco, exigindo das equipes um esforço logístico significativo para o patrulhamento e a checagem da denúncia.
No momento da abordagem e vistoria técnica, os agentes constataram que o acampamento encontrava-se momentaneamente desocupado. Contudo, o espaço estava amplamente aparelhado com diversos utensílios e insumos que atestavam a permanência contínua de caçadores na mata, incluindo um fogão a lenha improvisado, sistema de captação e armazenamento de água, colchões, panelas, vestimentas e suprimentos alimentícios.
O levantamento preliminar realizado pelas equipes apontou que as atividades ilícitas na região tinham como principais alvos espécies emblemáticas e fundamentais para o equilíbrio ecológico da Mata Atlântica. Entre os animais identificados como alvos dos criminosos estão o macuco (Tinamus solitarius), uma ave típica do bioma, e o macaco-bugio (Alouatta guariba), ambos atualmente classificados e protegidos por figurarem nas listas de espécies ameaçadas de extinção no estado do Paraná.
Diante dos vestígios e materiais apreendidos, o Instituto Água e Terra informou que todo o dossiê com as informações reunidas durante a diligência será encaminhado aos órgãos de persecução penal e às autoridades competentes. O objetivo é dar celeridade aos trâmites legais para identificar e responsabilizar os autores, que deverão responder administrativa e criminalmente pelos danos causados à fauna e flora locais, com base na legislação ambiental vigente.
Ações de combate à caça ilegal continuam no estado
A fiscalização intensiva em áreas de proteção ambiental tem sido uma tônica constante dos órgãos de segurança do estado. O Instituto Água e Terra destacou que esta intervenção em Morretes integra um esforço contínuo e ampliado para coibir delitos ambientais nas Unidades de Conservação estaduais.
Em ocorrência semelhante registrada no mês anterior, a instituição já havia divulgado o balanço de outra operação de grande envergadura realizada em conjunto com o Batalhão de Polícia Militar Ambiental. Na ocasião, as equipes conseguiram localizar e demolir uma estrutura fixa mantida por caçadores em um ponto remoto e de acesso restrito no Parque Estadual das Lauráceas, situado no município de Adrianópolis, na Região Metropolitana de Curitiba.
Canais de atendimento para denúncias da comunidade
Para as autoridades ambientais, a participação ativa da sociedade por meio de denúncias anônimas ou identificadas representa uma das ferramentas mais eficazes para mitigar e coibir crimes contra os recursos naturais, a flora nativa e a fauna silvestre paranaense.
O principal canal disponibilizado pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental para o recebimento imediato de informações é o Disque-Denúncia 181. O serviço permite que os cidadãos relatem irregularidades, garantindo a triagem e o direcionamento de equipes para a verificação in loco de qualquer suspeita de crime ambiental.
No âmbito administrativo do Instituto Água e Terra, as denúncias e relatos devem ser direcionados preferencialmente ao serviço de Ouvidoria, acessível por meio da seção Fale Conosco no portal oficial do órgão, ou diretamente nas unidades e escritórios regionais distribuídos pelo estado. Para assegurar a eficácia da fiscalização, o IAT orienta que os comunicados sejam formulados de maneira clara, objetiva e com o maior volume possível de detalhes geográficos e temporais, o que agiliza a mobilização das equipes de campo.
Fonte:: cbncuritiba.com.br


