Paraná destaca-se nacionalmente no tratamento da obesidade e amplia cirurgias pelo SUS

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: Divulgação / Parana.pr.gov.br

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mantém estruturada uma estratégia abrangente voltada ao atendimento de pessoas que enfrentam o sobrepeso e a obesidade no estado. O modelo, conhecido como Linha de Cuidado, articula de forma integrada a Atenção Primária à Saúde (APS), a Atenção Ambulatorial Especializada (AAE) e a rede de Atenção Hospitalar para garantir suporte contínuo aos pacientes da rede pública.

De acordo com os registros oficiais, no período compreendido entre 2022 e julho de 2026, o estado do Paraná contabilizou a realização de 9.287 cirurgias bariátricas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Com esse volume expressivo, o território paranaense consolida a segunda maior produção cirúrgica dessa natureza em todo o país, ficando posicionado logo atrás do estado de São Paulo, que registrou 9.367 procedimentos no mesmo intervalo.

Reconhecida formalmente como uma condição médica crônica e multifatorial, a obesidade exige monitoramento e intervenções de longo prazo. Informações levantadas pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), vinculado ao Ministério da Saúde, indicam que, no ano de 2026, 73% dos adultos paranaenses avaliados nas unidades de saúde locais apresentavam algum grau de desvio ponderal. Deste total, 34.8% foram diagnosticados com sobrepeso, enquanto 38.2% enquadraram-se em diferentes estágios de obesidade. Os índices evidenciam a relevância de políticas voltadas à prevenção e ao cuidado integral, tema que ganha destaque especial com a passagem do Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, comemorado em 11 de outubro.

“A obesidade é uma doença crônica e precisa ser tratada com cuidado contínuo, acolhimento e acompanhamento multiprofissional. O SUS deve garantir que cada pessoa seja atendida no ponto adequado da rede, com critérios claros e acesso regulado aos serviços de maior complexidade”, ressalta o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

- Publicidade-

Estrutura de atendimento na rede pública

A porta de entrada oficial para o paciente que busca tratamento na rede pública é a Unidade Básica de Saúde (UBS). Nessas unidades, as equipes multiprofissionais realizam a aferição do estado nutricional, investigam comorbidades associadas e mapeiam os hábitos de vida e fatores determinantes para o ganho excessivo de peso. O itinerário terapêutico inicial contempla consultas médicas e de enfermagem, orientações nutricionais individualizadas, suporte psicológico, incentivo à prática de atividades físicas, sessões de fisioterapia e intervenções educativas voltadas ao autocuidado.

O impacto desse primeiro nível de atendimento é expressivo. Entre o início de 2022 e o mês de agosto de 2026, a Atenção Primária paranaense executou mais de 930 mil atendimentos individuais direcionados ao tratamento de pessoas com obesidade, somando-se ainda às diversas ações coletivas promovidas nas comunidades.

Infarto e AVC: Samu em todo o Paraná utiliza medicamento que evita mortes e sequelas graves

Modelo de cuidado compartilhado

O fluxo de atendimento é adaptado conforme a gravidade clínica e as exigências específicas de cada paciente. Casos classificados como obesidade de graus I e II, desde que desprovidos de comorbidades associadas, permanecem sob a tutela e o acompanhamento rotineiro da Atenção Primária.

Em contrapartida, quadros de maior complexidade — como pacientes com índice de massa corporal (IMC) situado entre 35 e 39,9 kg/m² acompanhado de comorbidades descompensadas, ou ainda indivíduos com IMC igual ou superior a 40 kg/m² — contam com um modelo de cuidado compartilhado. Essa modalidade envolve a Atenção Ambulatorial Especializada (AAE), acionada após rigorosa avaliação clínica e quando se esgotam as abordagens terapêuticas viáveis na rede básica.

- Publicidade-

Para os casos mais severos, caracterizados por IMC igual ou superior a 50 kg/m², o suporte terapêutico pode abranger também a estrutura da Atenção Hospitalar. A AAE atua na complementação do planejamento clínico, disponibiliza assistência multidisciplinar especializada e examina eventuais indicações para o procedimento cirúrgico bariátrico, realizando o encaminhamento adequado aos hospitais credenciados.

O documento oficial Linha de Cuidado às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade norteia a prática de um tratamento individualizado e progressivo, estimulando hábitos alimentares equilibrados, exercícios físicos regulares, apoio emocional e o controle rigoroso de patologias associadas.

Evolução e critérios da cirurgia bariátrica

A intervenção cirúrgica é compreendida como um mecanismo auxiliar no manejo clínico da doença, cuja indicação está condicionada a uma avaliação minuciosa por equipe multiprofissional e ao estrito cumprimento das diretrizes estabelecidas pelos protocolos do SUS. Antes de se submeter ao procedimento, o paciente passa por triagens rigorosas que englobam avaliações clínicas, nutricionais, psicológicas e de outras especialidades médicas, conforme a demanda de cada caso.

- Publicidade-

A série histórica de cirurgias bariátricas realizadas no estado demonstra crescimento contínuo ao longo dos anos: foram 1.563 procedimentos em 2022, 1.884 em 2023, 2.093 em 2024, 2.371 em 2025 e 1.376 cirurgias concluídas até julho de 2026, culminando no total de 9.287 operações no período. Conforme dados fornecidos pelo Sistema Estadual de Regulação, até setembro de 2026, havia uma demanda reprimida de 725 pessoas aguardando na fila de espera pelo procedimento. O intervalo médio estimado entre a liberação e a efetivação da cirurgia é de 71 dias.

Paraná retoma normalidade após queda de casos e óbitos por síndromes respiratórias

Concluída a etapa cirúrgica, o paciente permanece sob cuidados intensivos da equipe multiprofissional por um período de 18 meses. Esse acompanhamento pós-operatório engloba a vigilância constante do estado nutricional, da estabilidade clínica e do retrocesso ou controle das comorbidades pré-existentes. Findo esse prazo, a rotina de prevenção e assistência prossegue junto à Atenção Primária.

Atualmente, o sistema de saúde paranaense dispõe de 19 unidades hospitalares devidamente habilitadas pelo Ministério da Saúde para a realização de cirurgias bariátricas. Os estabelecimentos encontram-se estrategicamente distribuídos por todas as macrorregiões de saúde do estado, assegurando que o direcionamento dos pacientes ocorra de maneira fluida por meio dos mecanismos regionais de regulação e da capacidade operacional dos serviços.

Fonte:: parana.pr.gov.br

Compartilhe esta notícia