Preços do ouro recuam após inflação nos Estados Unidos vir acima das expectativas

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Imagem ilustrativa de barras de ouro  • Divulga...

Os contratos futuros do ouro encerraram a sessão desta quarta-feira (14) em baixa, registrando perdas pelo terceiro pregão consecutivo. O movimento foi impulsionado pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos referente ao mês de setembro, cuja leitura veio acima das projeções do mercado e alterou as expectativas em torno dos próximos passos da política monetária conduzida pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, de olho na reunião marcada para outubro.

Na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York (Nymex), o contrato do ouro com vencimento para dezembro fechou o dia com uma retração de 1,66%, cotado a US$ 4.107,90 por onça-troy. No mesmo sentido, a prata com entrega para o mesmo mês apresentou uma queda expressiva de 6,12%, encerrando a negociação a US$ 55,877 por onça-troy.

Em análises publicadas após a divulgação dos dados econômicos, o ING destacou que o CPI de setembro corrobora a avaliação de que o Fed ainda precisa manter os esforços para debelar de vez as pressões inflacionárias na economia doméstica.

Logo após a publicação do índice, ferramentas de monitoramento de mercado do CME Group apontaram que investidores passaram a precificar uma probabilidade superior a 50% de que o banco central dos Estados Unidos adote uma postura de aperto monetário já no encontro deste mês. O cenário de juros mais elevados tende a desfavorecer o ouro, um metal precioso que não gera rendimentos na forma de juros ou dividendos.

- Publicidade-

A corretora Spartan Capital pontuou que a commodity metálica também sofreu forte pressão vendedora em decorrência da alta generalizada nos rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida pública norte-americana, somada à valorização da moeda americana em relação a uma cesta de moedas rivais.

Especialistas ressaltam que o fortalecimento recente do dólar tem sido alimentado por incertezas ligadas a desdobramentos geopolíticos internacionais e por declarações recentes da diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na ocasião, a instituição classificou os planos econômicos apresentados por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, como insuficientes para conter o avanço expressivo dos déficits fiscais e da dívida pública do país.

Apesar da pressão de curto prazo decorrente do cenário de juros e do dólar forte, analistas ponderam que o panorama global de instabilidade econômica e fiscal continua a estimular a busca por proteção. “Ironicamente, essas preocupações oferecem mais um motivo para comprar metais preciosos”, avaliam estrategistas do setor.

Por fim, relatórios do Saxo Bank apontam que a principal barreira técnica de resistência para o ouro permanece estacionada na faixa dos US$ 4.235 por onça-troy, patamar que havia sido superado durante o intenso movimento de liquidação observado no encerramento do mês de setembro.

Valor de uma barra de ouro chega a US$ 1 milhão

- Publicidade-

Fonte:: cnnbrasil.com.br

Compartilhe esta notícia