O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) direcionou cobranças públicas, neste domingo (5), à ministra Cármen Lúcia, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar exigiu que a magistrada adote uma postura favorável à abertura de uma investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes, em meio ao acirramento das tensões na mais alta Corte do país.
A manifestação de Flávio Bolsonaro ocorreu durante uma transmissão ao vivo realizada em suas redes sociais. Na ocasião, o senador pontuou que a decisão a ser tomada pela ministra terá reflexos diretos sobre a sua trajetória institucional no Poder Judiciário, classificando um eventual voto contrário à apuração como prejudicial à biografia da magistrada.
“Cármen Lúcia, o Brasil está aguardando para ver como vai ser o seu voto na semana que vem, se a senhora vai autorizar que o Alexandre de Moraes seja formalmente investigado ou se a senhora vai passar a mão na cabeça dele com tudo isso que já veio à tona. Vai ficar muito ruim para sua história, para a sua biografia”, declarou o parlamentar durante a transmissão.
A crise institucional no Supremo Tribunal Federal ganhou novos contornos após a Polícia Federal encontrar mensagens no âmbito das apurações que envolvem o Banco Master. O material recuperado aponta trocas de comunicações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e direcionadas a um número de telefone associado ao ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com os registros das investigações, Vorcaro teria buscado contato com o magistrado para tratar de pautas de interesse da instituição financeira, chegando a indagar sobre a viabilidade de deixar o território nacional antes de ser alvo de uma prisão. Até o momento, contudo, não há evidências concretas de que Moraes tenha dado andamento ou atendido às demandas mencionadas nas conversas.
O papel estratégico de Cármen Lúcia na crise do STF
Diante do impasse instalado entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes — com Mendonça pleiteando formalmente a investigação do colega e cobrando do presidente do tribunal, Edson Fachin, a marcação de uma data para apreciação pelo plenário —, a ministra Cármen Lúcia passou a ser vista como peça-chave na composição de forças dentro da Corte.
Até o momento, a magistrada tem mantido cautela e não declarou alinhamento com nenhuma das facções em disputa, sinalizando que suas posições jurídicas serão fundamentadas estritamente nos autos do processo e nos ditames da Constituição Federal.
A expectativa em torno do voto de Cármen Lúcia reside no fato de que ela poderá influenciar diretamente a construção da maioria necessária para deliberar sobre a validade dos procedimentos adotados e sobre as condutas imputadas a Moraes no epicentro da crise.
Articulação política e mobilização para o 7 de Setembro
A investida pública de Flávio Bolsonaro soma-se a uma série de movimentações recentes do grupo político contra o ministro Alexandre de Moraes. O senador já havia defendido publicamente a renúncia do magistrado e cobrado do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), o avanço na análise dos pedidos de impeachment protocolados contra o integrante do STF.
Além disso, durante a mesma transmissão digital, o presidenciável do PL aproveitou para convocar a militância e simpatizantes para os atos públicos agendados para o feriado de 7 de Setembro em diversas regiões do país. A pauta pelo impeachment de Alexandre de Moraes figura como um dos principais motes das manifestações convocadas.
“Se a manifestação tiver bastante gente, eu sei que lá dentro do Supremo tem algumas pessoas que são sensíveis a essa pressão popular”, argumentou o senador aos seus seguidores.
Fonte:: ric.com.br


