O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teria destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi divulgada pela imprensa com base em áudios e documentos atribuídos ao empresário, movimentando o cenário político nacional.
De acordo com os relatos publicados, a suposta operação envolveria como contrapartida o acesso do Banco Master a fundos ligados ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e à Previ, entidade de previdência dos funcionários do Banco do Brasil. As negociações teriam sido intermediadas pelo ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto.
A expectativa, segundo o material atribuído ao ex-banqueiro, seria captar um total de R$ 10 bilhões, sendo R$ 1 bilhão destinado à legenda partidária e R$ 9 bilhões direcionados ao Banco Master.
Controvérsias sobre delação e posicionamento das autoridades
A reportagem inicial apontava que Vorcaro teria relatado a cobrança de pagamentos para viabilizar o acesso aos recursos administrados pelos fundos à Procuradoria-Geral da República (PGR) como parte de uma proposta de colaboração premiada. No entanto, o material relata que a denúncia não teria avançado por falta de comprovação material.
Em nota oficial, a Procuradoria-Geral da República negou ter ouvido diretamente o ex-banqueiro. O órgão esclareceu que as tratativas para uma eventual colaboração de Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo próprio investigado, ressaltando que não houve depoimento oral ou qualquer intermediação direta entre ele e os representantes do órgão ministerial.
No mesmo sentido, a Polícia Federal declarou que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo descrito. A corporação informou ainda que recebeu uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar os fatos relacionados à divulgação da reportagem a poucas semanas do segundo turno da eleição presidencial.
Áudio menciona repasses e Instituto Lula nega envolvimento
Entre os materiais veiculados, consta uma gravação atribuída a Vorcaro na qual ele comenta pagamentos relacionados ao documentário sobre Lula, lançado em 2024 e dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Na gravação, o ex-banqueiro afirma ter destinado recursos à produção e diferencia esse suposto repasse do patrocínio ao filme Dark Horse, voltado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da circulação do áudio, a publicação não apresenta comprovação pública de que os pagamentos em espécie tenham sido efetivamente realizados, tampouco detalha as circunstâncias ou a data exata da gravação.
Paulo Okamotto, representante da direção do Instituto Lula, negou veementemente conhecer Vorcaro e afirmou que nunca se reuniu com o ex-banqueiro. Ele também rejeitou qualquer participação da instituição na produção ou na captação de recursos para o documentário.
“Eu não conheço o senhor Daniel Vorcaro. Nunca estive e tampouco me reuni com ele”, declarou Okamotto, acrescentando que a iniciativa do filme partiu exclusivamente de Oliver Stone e que a instituição jamais recebeu recursos para tal finalidade, classificando a reportagem como infundada.
Reação da campanha presidencial
A campanha de Lula manifestou forte indignação com o conteúdo divulgado, classificando como estarrecedor que acusações graves venham a público sem a apresentação de provas concretas. A equipe do atual presidente apontou que o material tem forte apelo eleitoral e anunciou que adotará medidas judiciais cabíveis contra as alegações e eventuais irregularidades na propagação das informações.
Em nota oficial na íntegra, a campanha destacou o papel das instituições de controle durante o atual governo na investigação de irregularidades no sistema financeiro, apontando o episódio como uma tentativa de desestabilização política e reforçando que medidas legais serão tomadas para coibir calúnias e desinformação no período eleitoral.
Fonte:: ric.com.br


