O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13) a suspensão do sigilo sobre as investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo a respeito do financiamento da produção cinematográfica Dark Horse. A obra retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aborda o atentado sofrido por ele em Juiz de Fora no ano de 2018, contando com o ator Jim Caviezel no papel principal.
A apuração, que agora ganha novos desdobramentos na esfera federal, é conduzida pela Polícia Federal (PF) para verificar a existência de possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos, incluindo verbas oriundas de emendas parlamentares, utilizados para custear os gastos com a realização do filme.
Com a decisão monocrática expedida por Dino, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo fica obrigada a repassar integralmente todo o acervo probatório reunido pelos investigadores estaduais. O material inclui dados extraídos de dispositivos móveis de pessoas físicas e jurídicas investigadas, além de documentos correlatos. O despacho também estabelece que os equipamentos de informática utilizados pela polícia paulista no inquérito sejam transferidos para a custódia da corporação federal.
A determinação do magistrado diverge das reiteradas manifestações apresentadas pela defesa do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Os advogados haviam peticionado ao STF para que todas as vertentes investigativas relacionadas ao longa-metragem fossem centralizadas sob a relatoria do ministro André Mendonça — indicado ao cargo por Jair Bolsonaro em 2021 —, o que retiraria a competência de análise de Flávio Dino sobre o caso.
Apuração analisa repasses e envolvimento de agentes públicos
A atuação de Flávio Dino se concentra em uma das frentes da investigação global sobre o filme, focada especificamente no uso indevido de emendas parlamentares. As suspeitas levantadas pelos órgãos de controle indicam que o deputado federal Mario Frias, que atuou como produtor de Dark Horse, teria direcionado verbas públicas para o financiamento da produção cinematográfica.
Nos desdobramentos recentes, a Polícia Federal deflagrou uma operação direcionada a 29 alvos, incluindo o próprio parlamentar, decorrente das suspeitas de irregularidades no envio de recursos de emendas para a produtora Go Up, empresa responsável pela execução do projeto audiovisual.
O inquérito sobre o longa-metragem teve início na PF no mês de maio, após a divulgação pública de registros em áudio nos quais Flávio Bolsonaro supostamente solicita recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master e alvo de investigações por crimes contra o sistema financeiro. De acordo com os elementos levantados na época, o pedido teria alcançado a quantia de aproximadamente R$ 134 milhões para viabilizar a conclusão das filmagens.
Fonte:: ric.com.br


