O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está em seu último dia de visita à China, marcado pela expectativa de alcançar avanços significativos nas negociações comerciais com seu homólogo chinês, Xi Jinping. O primeiro dia de cúpula mostrou um tom amistoso entre os líderes, apesar de Xi ter emitido alertas sobre os potenciais riscos de conflito.
O presidente norte-americano se esforça para consolidar acordos em várias áreas, como agricultura, aviação e tecnologia de inteligência artificial, além de discutir questões geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã.
No dia 15 de novembro, Trump foi recebido por Xi em Zhongnanhai, um complexo de edifícios emblemáticos próximo à Cidade Proibida, coração da capital chinesa. O encontro incluiu um chá bilateral e um almoço entre os dois líderes, antes do retorno de Trump a Washington.
Zhongnanhai, que significa “mares do meio e do sul”, é a residência oficial do presidente chinês, além de servir como sede do governo central. Este local, frequentemente comparado à Casa Branca e ao Kremlin, não é tradicionalmente utilizado para reuniões diplomáticas.
Trump iniciou seu dia reafirmando, por meio de uma postagem nas redes sociais, que Xi o havia elogiado por seus “extraordinários sucessos”. Ele ressaltou que o presidente chinês se referia ao ex-presidente Joe Biden ao mencionar que os EUA poderiam estar “em declínio”.
Entretanto, a perspectiva otimista de Trump em relação às relações EUA-China conflita com a realidade de algumas questões desafiadoras entre as duas nações. Pequim tem se mostrado pouco receptivo ao chamado dos EUA para um maior envolvimento na resolução do conflito no Irã, embora Trump tenha afirmado que Xi demonstrou disposição para ajudar nessas conversações. Além disso, a Casa Branca acredita que a China poderia intensificar esforços para interromper o fluxo de substâncias químicas fabricadas em seu território e que são utilizadas na produção de fentanil, uma droga responsável por severos problemas nas comunidades americanas.
Primeiro dia: afagos e alertas
A cúpula entre Trump e Xi começou na quinta-feira, 14 de novembro (horário local, quarta-feira, 13 de novembro em Brasília). O dia foi repleto de cerimônias e discussões cruciais sobre comércio, Taiwan e outros pontos de tensão nas relações entre as duas potências.
Essa é a primeira visita de um presidente americano à China em quase uma década e poderá ser decisiva para o futuro das relações entre os dois países.
Boas-vindas
Xi recebeu Trump em frente ao Grande Salão do Povo, uma das mais icônicas construções da capital. Após o tradicional aperto de mãos, caminharam lado a lado sob a atenção de uma guarda de honra e de crianças segurando flores e bandeiras dos Estados Unidos e da China. A execução do hino americano pela banda militar chinesa ecoou pela Praça Tiananmen, que estava deserta.
Entre os presentes, estavam membros da equipe de Trump, como o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário do Tesouro Scott Bessent, além de líderes empresariais renomados, como Tim Cook (Apple), Jensen Huang (Nvidia) e Elon Musk (Tesla e SpaceX).

Reunião bilateral
No Salão Nobre, o encontro de Trump e Xi durou mais de duas horas. Ambos destacaram a importância da relação bilateral e Trump expressou que era uma honra ser amigo do líder chinês. Xi, por sua vez, falou sobre a necessidade de que as duas nações atuem como “parceiros, e não adversários”.
O presidente chinês também abordou a questão delicada de Taiwan, reiterando que a reivindicação da China sobre a ilha poderia gerar tensões, conforme noticiado pela agência de notícias chinesa Xinhua.
De acordo com um resumo da Casa Branca, os líderes discutiram temas como o fentanil, as barreiras ao mercado chinês para empresas americanas, os investimentos chineses nos EUA e as compras agrícolas feitas pela China. Além disso, conversaram sobre o Irã e a situação no Estreito de Ormuz, bem como questões envolvendo a Ucrânia e a Península Coreana, embora detalhes adicionais não tenham sido divulgados.

No decorrer das conversações, autoridades de Pequim concederam licenças a centenas de frigoríficos americanos para exportar carne bovina para a China, revogadas anteriormente após a imposição de tarifas pelo governo Trump. Apesar dessa nova medida, o futuro das relações comerciais ainda é incerto. Membros da delegação empresarial americana, no entanto, manifestaram otimismo após o primeiro encontro. Ao ser questionado sobre os resultados da conversa, Elon Musk comentou: “Muitas coisas boas”.
Visita ao Templo do Céu
Após a reunião, Trump e Xi foram ao Templo do Céu, um local sagrado onde imperadores rezavam por colheitas favoráveis desde o século 12. Atualmente, o templo é um parque público e um Patrimônio Mundial declarado pela Unesco.
A visita foi parte de um roteiro meticulosamente planejado e ofereceu a Xi a oportunidade de enfatizar a grandeza da história chinesa, apresentando o templo como um símbolo da “filosofia da civilização chinesa centrada no povo”, conforme explicado em uma declaração oficial.

Trump se dirigiu a repórteres após o encontro, descrevendo-o como “ótimo” e elogiando a beleza da China, mas não respondeu a perguntas sobre Taiwan.
Banquete de Estado
Para encerrar o dia, Xi organizou um elaborado banquete em honra a Trump e sua delegação, em um salão do Grande Salão do Povo. Durante os discursos, Trump fez um convite a Xi para visitar a Casa Branca no dia 24 de setembro.
Os líderes se sentaram lado a lado em uma mesa redonda elegantemente decorada e o cardápio incluiu uma variedade de pratos, como pato assado, lagosta em sopa de tomate e tiramisu para a sobremesa.

Fonte: estadao.com.br


