O impacto do consumo elevado de energia pelos data centers começa a reverberar no mercado brasileiro. Na última terça-feira, 19 de maio, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu indeferir o pedido de medida cautelar da empresa Scala, que buscava se isentar da obrigação de apresentar garantias financeiras para o avanço de seu projeto. O empreendimento em questão contempla a construção de um data center em Eldorado do Sul, localizado no estado do Rio Grande do Sul.
Conforme as diretrizes estabelecidas pela Aneel, é necessário que as empresas que desejam se conectar à rede de alta tensão apresentem garantias financeiras. No caso da Scala, essa exigência representa a necessidade de assegurar aproximadamente R$ 77 milhões antes de formalizar os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST). Ana Carolina Calil, advogada que representa a Scala, declarou ao Jornal do Comércio (JC) que esta decisão impõe um desafio significativo aos futuros projetos da empresa.
A Scala argumenta que as negociações para acessar a rede elétrica já estavam em andamento antes da implementação da nova resolução da Aneel e que não foi estabelecida uma norma de transição para projetos que já estavam em processo. Quando a empresa formalizou um acordo de intenções com o governo do Rio Grande do Sul em setembro de 2024, a expectativa era que o processo de obtenção das autorizações necessárias para a conexão elétrica e o licenciamento ambiental levasse de seis a nove meses.
Recentemente, a Scala protocolou um pedido de licença na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), que, por sua vez, notificou que ainda não existe um licenciamento formalizado. O que se encontra no momento é apenas um pedido inicial, e a documentação técnica necessária não foi ainda apresentada. Informações indicam que, ao operar em sua capacidade máxima, o data center da Scala poderá consumir mais energia do que toda a demanda atual do estado do Rio Grande do Sul. Segundo estimativas da empresa, o campus de data centers projetado para Eldorado do Sul pode atrair até US$ 300 bilhões em investimentos, caso toda a capacidade planejada seja ocupada.
*
Fonte: convergenciadigital.com.br


