O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conduziu seu discurso durante o jantar anual organizado pela Associação de Correspondentes da Casa Branca, realizado nesta sexta-feira, 24. A celebração ocorreu com meses de atraso em relação à data original, marcada para 25 de abril, quando o evento precisou ser bruscamente interrompido após o registro de disparos nas dependências do hotel Washington Hilton.
Durante sua intervenção perante convidados, autoridades e jornalistas, o chefe do Executivo americano justificou as ações militares recentes contra o Irã, argumentando que o principal objetivo da ofensiva é impedir que a nação persa desenvolva armamentos nucleares. “Eles não podem ter uma arma nuclear. Eles a usariam”, declarou o mandatário. Na sequência, detalhou o impacto das operações recentes: “Atingimos o Irã de forma muito forte e só sobraram alguns poucos drones”. Na mesma ocasião, o republicano confirmou que receberá o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, para uma reunião na Casa Branca na próxima segunda-feira, 27.
O cenário geopolítico no Oriente Médio continua tenso. As tensões bilaterais entre Washington e Teerã se intensificaram gradualmente ao longo das últimas semanas, com forças norte-americanas conduzindo bombardeios contra infraestruturas estratégicas iranianas, incluindo instalações militares, ferrovias, portos, aeroportos e pontes. Em retaliação, o governo do Irã tem direcionado ataques a aliados dos Estados Unidos na região, a exemplo de Kuwait, Bahrein e Jordânia.
Anteriormente, as administrações de ambos os países chegaram a firmar um memorando de entendimento visando a um cessar-fogo e ao estabelecimento de bases para um acordo de paz duradouro. No entanto, o pacto ruiu após o Irã atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, justificando a ação como resposta a violações decorrentes de investidas israelenses no Líbano. Diante disso, Washington declarou o memorando inválido e retomou as campanhas de bombardeio em território iraniano.
Ainda durante o evento, Trump demonstrou irritação inicial com críticas feitas por profissionais da imprensa e ironizou o clima da cerimônia, afirmando que a noite “não estava muito agradável”. Em um discurso que misturou recados políticos, comentários sobre premiações e críticas a adversários — como o governador da Califórnia, Gavin Newsom —, o presidente voltou a alimentar especulações sobre uma possível candidatura nas eleições de 2028.
Mesmo diante de um público predominantemente formado por jornalistas, o presidente norte-americano não poupou críticas aos veículos de comunicação. Em tom jocoso, alegou que grande parte dos presentes sofria da chamada “Síndrome de Perturbação de Trump”. Ele também questionou o talento de apresentadores de talk shows como Jimmy Fallon, Jimmy Kimmel e Stephen Colbert, classificando-os como figuras movidas pelo ódio. A cobertura da imprensa também foi alvo de ataques diretos, com críticas a uma âncora da CNN, canal rotulado por ele como propagador de notícias falsas.
Entre outros tópicos abordados ao longo da noite, o presidente mencionou as obras de construção de um novo salão de baile na residência oficial e relembrou o evento de artes marciais mistas (UFC) realizado nos gramados da Casa Branca em 14 de junho, data que coincide com o seu aniversário.
O atentado e as medidas de segurança
O jantar de gala original, programado para o final de abril, foi interrompido minutos após o seu início. Na ocasião, um indivíduo identificado como Cole Allen, de 31 anos e natural da Califórnia, invadiu o perímetro em direção ao salão onde o presidente jantava com autoridades e jornalistas. O suspeito foi alvejado pelas equipes de segurança antes de ser imobilizado e detido. Posteriormente, Allen declarou-se inocente das acusações, que incluem a tentativa de assassinato do chefe de Estado.
Para evitar novos riscos, o Serviço Secreto dos Estados Unidos implementou um esquema rigoroso de segurança nesta sexta-feira. Uma ampla área da capital federal foi isolada, estabelecendo-se um perímetro ampliado para resguardar a nova edição da cerimônia. O local também foi alterado: em substituição ao hotel Hilton, o jantar ocorreu no Waldorf Astoria — estabelecimento que pertenceu a Trump —, resultando em um formato menor e mais reservado, conforme antecipado pelos organizadores.
“Em abril, o presidente Trump prometeu concluir a missão e realizar outro jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca e, hoje, cumprirá essa promessa”, destacou a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, por meio de comunicado enviado à agência AFP. “Esperamos uma excelente e divertida noite em celebração aos 250 anos da grandeza americana e da liberdade de imprensa.”
Presidente da associação organizadora, Weijia Jiang pontuou em junho, ao confirmar a nova data, que o setor de comunicação não permitiria que um episódio de violência silenciasse a instituição. A programação da noite incluiu homenagens formais a um agente do Serviço Secreto ferido no colete balístico durante a contenção do atirador em abril, bem como aos funcionários do hotel Hilton que auxiliaram na resposta ao incidente. Antes do evento, a direção do Serviço Secreto reiterou estar plenamente preparada para a remarcação, apesar das falhas apontadas por críticos após a ocorrência original.
Fonte:: estadao.com.br


