TSE e dezenas de tribunais dependem de serviços da Oi

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A situação financeira da Oi e o processo de recuperação judicial da operadora continuam gerando preocupações em diversos setores da infraestrutura pública brasileira. No âmbito do Judiciário eleitoral, a dependência tecnológica chama a atenção: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e outros 16 Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) utilizam a empresa de telecomunicações como a principal fornecedora de serviços de comunicação para suas operações cotidianas.

Diante do cenário crítico envolvendo a operadora, questionamentos sobre a segurança e a continuidade dos serviços essenciais vêm à tona, especialmente em períodos que antecedem grandes eventos eleitorais no país. Até o momento, órgãos oficiais têm sido acionados para esclarecer se existem planos de contingência ou estratégias de substituição de fornecedores para evitar eventuais falhas operacionais na rede de dados e telefonia.

Fiscalização da Anatel aponta falhas em obrigações

Levantamentos recentes divulgados pelo setor regulatório indicam que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não atestou o pleno cumprimento das obrigações de manutenção de serviços assumidas pela operadora durante o processo de migração da concessão de telefonia fixa para o regime de autorização. As análises técnicas conduzidas pelo órgão regulador revelaram problemas recorrentes de indisponibilidade no Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC).

De acordo com os dados técnicos, falhas em acessos individuais foram registradas em mais de 72% das localidades classificadas sob a rubrica de obrigações de continuidade, conhecida internacionalmente como carrier of last resort (CoLR), em todos os meses avaliados pelas equipes de fiscalização da agência federal.

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As estatísticas do setor demonstram que milhares de localidades permanecem formalmente vinculadas a essas obrigações de manutenção de rede, sendo atendidas por uma combinação de acessos individuais e coletivos. O fornecimento desses links críticos de comunicação e infraestrutura corporativa é gerido pela divisão voltada ao mercado corporativo e governamental da operadora.

Tribunais impactados em todo o território nacional

A lista de órgãos da Justiça Eleitoral que mantêm contratos ou dependência técnica dos serviços prestados pela empresa abrange cortes de diferentes regiões do país. Além da própria sede do Tribunal Superior Eleitoral, a relação de tribunais regionais afetados inclui:

  • Tribunal Regional Eleitoral da Bahia
  • Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro
  • Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso
  • Tribunal Regional Eleitoral do Acre
  • Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina
  • Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia
  • Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo
  • Tribunal Regional Eleitoral do Paraná
  • Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul
  • Tribunal Regional Eleitoral de Tocantins
  • Tribunal Regional Eleitoral do Amapá
  • Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão
  • Tribunal Regional Eleitoral do Pará
  • Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul
  • Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais
  • Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco

A abrangência geográfica dos tribunais atingidos demonstra que a capilaridade da infraestrutura da operadora ainda desempenha um papel fundamental na conectividade de sedes administrativas e cartórios eleitorais espalhados pelos estados mencionados. Especialistas em tecnologia da informação e gestão pública apontam que a dependência de um único fornecedor em serviços essenciais de telecomunicações reforça a necessidade de auditorias constantes e de planos de mitigação de riscos tecnológicos na administração pública.

A infraestrutura de redes utilizada por esses tribunais é vital para a transmissão de dados administrativos, sistemas de gestão processual e comunicações internas entre as sedes regionais e as zonas eleitorais. O acompanhamento dos desdobramentos da crise da operadora segue no radar de órgãos de controle e fiscalização governamental.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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