Volume de chuvas em julho transforma cenário climático e afasta estiagem em regiões do Paraná

Marcelo Borges
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O volume expressivo de precipitações registrado ao longo do mês de julho provocou uma mudança drástica no cenário climático do estado, resultando na diminuição da área afetada pela seca fraca na Região Leste e na erradicação completa do fenômeno nas regiões Oeste e Sudoeste. As informações foram divulgadas por meio do Monitor de Secas, um levantamento oficial conduzido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que conta com a colaboração técnica de órgãos especializados, a exemplo do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

O comportamento atípico das chuvas superou as médias históricas em grande parte do território paranaense. De acordo com o levantamento técnico, das 45 estações meteorológicas administradas pelo Simepar que possuem histórico superior a cinco anos de funcionamento, nada menos do que 41 registraram índices pluviométricos acima da média esperada para o mês de julho. O comportamento oposto foi observado em apenas quatro localidades — Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba —, cujos volumes ficaram abaixo das expectativas para o período.

Acumulados históricos e influência do El Niño

Em determinados municípios, os volumes acumulados atingiram patamares históricos, surpreendendo moradores e especialistas. O caso mais emblemático ocorreu no município de Palmas, onde os pluviômetros marcaram um total de 311 milímetros de chuva ao longo do mês de julho. O índice representou o maior volume já catalogado para o mês desde a implantação da estação meteorológica local, ocorrida há 28 anos.

Conforme análises técnicas divulgadas pelo Simepar, a concentração anormal de chuvas foi fortemente influenciada pela atuação do fenômeno climático El Niño, cujos efeitos começaram a ser constatados a partir de junho nas águas do Oceano Pacífico Equatorial. A dinâmica oceânica atuou em conjunto com sistemas meteorológicos regionais, potencializando a formação de nuvens carregadas e garantindo a umidade em solo paranaense.

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Retração da estiagem e panorama comparativo

Diante do cenário de umidade elevada, a atualização mais recente do mapa do Monitor de Secas passou a apontar a presença de seca fraca restrita apenas a uma faixa isolada do Leste do Paraná. A metodologia de classificação considera tanto os impactos de curto quanto de longo prazo, avaliando potenciais reflexos tanto nas atividades agrícolas quanto nos níveis de reservatórios voltados ao abastecimento público de água.

O panorama atual representa uma evolução expressiva em comparação ao cenário observado no mesmo período do ciclo anterior. Em julho do ano passado, em um contexto sem a interferência do El Niño, a seca de intensidade moderada predominava de maneira ampla ao longo de toda a divisa entre o Paraná e o estado de São Paulo. Naquela ocasião, também havia registros recorrentes de seca fraca abrangendo as regiões Leste, Norte, Noroeste e Sul do território estadual.

O processo gradual de enfraquecimento e recuo geográfico da seca começou a se desenhar de forma mais consistente a partir de maio deste ano. Naquele mês, o mapa ainda exibia extensas áreas classificadas como seca fraca, enquanto os episódios de seca moderada encontravam-se concentrados majoritariamente nas regiões Oeste, Sudoeste e Sul do Paraná.

Já no mês de junho, a categoria de seca moderada havia sido totalmente eliminada do mapa estadual. Restavam apenas focos de seca fraca localizados no Leste, nos Campos Gerais, no Sudoeste e em trechos do Oeste. Com o avanço das precipitações volumosas em julho, o processo de recuperação ambiental consolidou-se, culminando na remoção completa de registros de seca nas regiões Oeste e Sudoeste do estado.

Fonte:: cbncuritiba.com.br

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