Enviado americano aponta início do desarmamento em Gaza em até um mês

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O avanço rumo ao desarmamento do Hamas e à implementação de um plano de paz para a Faixa de Gaza pode começar dentro de um mês, afirmou nesta segunda-feira, 17, o enviado americano, Jared Kushner, após se reunir com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.

O governo de Washington busca atender às demandas de Israel depois que Netanyahu rejeitou inicialmente a etapa final de um plano americano estruturado para encerrar o conflito em Gaza. A região foi severamente devastada pelas forças militares israelenses em resposta à ofensiva de 7 de outubro de 2023, conduzida por combatentes do Hamas. Estão em jogo questões fundamentais, como a sobrevivência de aproximadamente 2 milhões de palestinos na área, a reconstrução do enclave e a definição de sua futura governança.

O Hamas declarou concordar com os termos do acordo, que preveem o desarmamento, e solicitou aos mediadores e ao Conselho da Paz, iniciativa criada pelos Estados Unidos, que exerçam pressão para obrigar Israel a cumprir o pacto. De acordo com as diretrizes estabelecidas, as tropas israelenses deveriam realizar uma retirada gradual de Gaza. No entanto, o governo de Israel sustenta que a desmilitarização completa do grupo precisa ocorrer de forma integral antes de qualquer movimentação de retirada por parte de suas forças.

“Poderíamos ver avanços em apenas 30 dias, com sorte começando a retirar algumas das armas”, pontuou Kushner, que atua como enviado e é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declaração concedida à rede Fox News a partir de Tel Aviv.

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O representante estadunidense acrescentou ainda que o preenchimento e a neutralização dos túneis subterrâneos localizados em Gaza — construídos pelo Hamas para resistir aos bombardeios e facilitar o transporte de suprimentos — devem ser executados em um horizonte de 60 a 90 dias.

As tratativas em Jerusalém ocorreram logo após Kushner manter reuniões diretas no Egito com lideranças do Hamas, que formalizaram publicamente seu compromisso com o projeto de pacificação.

Uma autoridade de alto escalão do governo israelense confirmou à agência de notícias AFP que ambas as partes chegaram a um entendimento de que nenhuma movimentação de reposicionamento ou reconstrução estrutural será permitida na Faixa de Gaza até que o Hamas esteja completamente desarmado em todo o território.

“Também foi acordado que o primeiro passo rumo à desmilitarização da Faixa será exigir que o Hamas entregue suas armas para serem destruídas sob supervisão de um general americano”, complementou a fonte oficial.

O rascunho de acordo endossado pelo Hamas no final de julho estipula que a neutralização do arsenal do grupo ocorra sob a supervisão direta da Força Internacional de Estabilização (ISF), componente designado para assegurar a ordem durante o período de transição. A missão é liderada pelo general de divisão americano Jasper Jeffers.

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Diante do cenário, o funcionário israelense ressaltou que, caso o grupo retome práticas violentas ou tente reconstituir seu poderio militar, o Estado de Israel preservará o direito de intervir militarmente.

Durante a passagem pela região, Kushner esteve acompanhado por outros representantes do Conselho da Paz para Gaza, entre eles o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Nas conversas mantidas em solo egípcio, o enviado cobrou do Hamas demonstrações práticas de renúncia às armas e assegurou que a organização não terá qualquer participação na futura administração do território palestino.

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Por sua vez, um dirigente do Hamas confirmou que a delegação do grupo, encabeçada pelo novo líder Khalil al Hayya, reiterou a Kushner a adesão às diretrizes propostas para o enclave.

Tensões políticas e retórica acirrada

Netanyahu, que enfrentará um cenário eleitoral desafiador em outubro conforme apontam as pesquisas de opinião, tem adotado posturas de enfrentamento em relação a Trump, cujo respaldo político tem sido explorado frequentemente em sua campanha.

O chefe de governo israelense também demonstrou insatisfação com a decisão da administração republicana de suspender a campanha militar conjunta contra o Irã, iniciada em fevereiro, optando por buscar canais de entendimento com os líderes religiosos de Teerã.

Em paralelo, declarações de integrantes do alto escalão do governo geraram repercussão internacional. O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, sugeriu em um podcast que as forças do país deveriam intensificar operações letais diárias no enclave.

Em tom mais moderado, o presidente de Israel, Isaac Herzog, cuja função no sistema político é essencialmente protocolar, manifestou apoio aos desdobramentos diplomáticos ao elogiar os esforços do Conselho da Paz na busca por estabilidade e segurança na região.

Enquanto os esforços diplomáticos continuam, as lideranças locais seguem trocando acusações mútuas sobre o descumprimento do cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025 com a mediação de Washington. Dados do Ministério da Saúde de Gaza indicam que mais de 1.200 palestinos perderam a vida em decorrência de ações militares desde o início da trégua, estatísticas consideradas fidedignas pelas Nações Unidas. Do lado israelense, o comando militar registrou cinco baixas no mesmo período.

Fonte:: estadao.com.br

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