Ypê: Ação movida por idosa pede R$ 765 mil por suposta contaminação

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Cnnbrasil.com.br

Uma consumidora de 92 anos moveu uma ação judicial contra a fabricante de produtos de limpeza Ypê, solicitando R$ 765 mil em indenizações. A reclamação, que tramita na 4ª Vara Cível de Mauá, São Paulo, surge a partir de alegações de que a idosa desenvolveu uma infecção urinária grave após utilizar lava-roupas líquidos da marca, que foram posteriormente envolvidos em uma campanha de recolhimento voluntário por conta da identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em determinados lotes.

O processo foi iniciado cinco meses antes da atual suspensão de produtos imposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Ypê, por sua vez, refuta qualquer ligação entre os produtos e a condição de saúde da consumidora, afirmando que a ocorrência de tais infecções não pode ser atribuída à presença do microrganismo nos produtos, mesmo em usuários vulneráveis.

Defesa da Ypê alega ausência de comprovação

Na contestação apresentada à Justiça, a Ypê argumenta que “não há plausibilidade biológica ou quantitativa” que suporte a ideia de que a presença do microrganismo poderia desencadear infecções. A defesa destaca que a bactéria mencionada é comum no ambiente e que os processos normais de lavagem teriam a capacidade de reduzir a carga microbiana a níveis insignificantes.

“A lavagem das roupas em máquina de lavar, seguida de centrifugação e secagem, resulta em uma concentração residual inferior a 10 UFC por peça, que é considerado microbiologicamente insignificante”, declara a empresa em um laudo toxicológico anexado ao processo.

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Além disso, a Ypê indica que não foi possível determinar, com um nível adequado de certeza, se o produto utilizado pela consumidora fazia parte dos lotes que foram recolhidos. A defesa reforça que, mesmo que os produtos tenham sido adquiridos na mesma data e no mesmo estabelecimento, isso não garante que pertenciam ao mesmo lote.

Outro ponto levantado pela fabricante é que a consumidora apresentava fatores de risco que podem ter contribuído para a infecção urinária. O laudo aponta que, pouco antes da compra dos produtos, a mulher ficou internada por 15 dias em uma UTI e, ao receber alta, utilizava sonda vesical.

O laudo médico anexado ao processo menciona que a idade avançada, o sexo feminino, a internação prolongada e o uso de cateter urinário são fatores reconhecidos e comuns para o desenvolvimento de infecções do trato urinário. “Observa-se que a paciente apresentava um conjunto de fatores de risco clássicos e amplamente reconhecidos”, completa o parecer.

A Ypê também contesta a ausência de exames laboratoriais apresentados pela autora que comprovassem a relação entre a infecção e a bactéria identificada nos produtos recolhidos. A empresa alega que “não há um único documento que associe o quadro infeccioso da autora com a Pseudomonas aeruginosa” encontrada nos produtos da linha Tixan.

Recolhimento voluntário de produtos

Um aspecto adicional destacado pela Ypê diz respeito à maneira como o recolhimento dos lotes afetados foi realizado. A fabricante informou que a campanha voluntária de retirada dos produtos foi realizada assim que a “microbiologia positiva” foi identificada. A empresa também noticiou que comunicou as autoridades sanitárias, distribuidores e consumidores sobre o recolhimento.

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De acordo com a fabricante, o comunicado à Anvisa ocorreu em 26 de novembro de 2025, e a divulgação da campanha foi iniciada no dia seguinte por meio de redes sociais, site oficial, anúncios e veículos de imprensa.

No documento de defesa, a Ypê se opõe a qualquer alegação de omissão, reforçando que adotou medidas específicas para consumidores imunossuprimidos. “A realização espontânea do recall demonstra o cumprimento do dever de transparência e de boa-fé do fornecedor”, justifica a empresa, citando entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre recolhimentos voluntários.

O caso ainda está em fase de tramitação no Judiciário e não há uma decisão final sobre o mérito da ação até o momento.

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A CNN Brasil tentou entrar em contato com a Ypê e com a Anvisa para obter comentários sobre a situação, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece disponível para quaisquer pronunciamentos.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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