Congresso debate os desafios da inclusão digital com a chegada da TV Pública 3.0

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Fernanda Angelo Mande um e-mail

A chegada da TV Pública 3.0 tem gerado debates importantes sobre o futuro da comunicação e o acesso à cidadania no Brasil. O tema central discutido por especialistas e autoridades no Congresso da SET Expo 2026 girou em torno de como transformar o meio em uma plataforma inclusiva, garantindo que a conectividade tecnológica não se torne um obstáculo ou um novo requisito excludente para que a população tenha acesso à informação e aos serviços prestados pelo Estado. A discussão ocorreu durante o painel focado nas perspectivas de implementação da nova tecnologia nas emissoras públicas e na integração com a Plataforma Mais.br de governo digital.

Durante o evento, representantes do setor enfatizaram que a evolução técnica do sistema de transmissão não pode romper com a tradição histórica da televisão aberta, que historicamente atua na universalização do alcance comunicacional. Bráulio Ribeiro, diretor de Engenharia, Tecnologia e Operações da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), pontuou que o novo padrão deve atuar estritamente como um elemento integrador. “A TV Pública 3.0 deve servir como ponte e não como barreira. Não pode seguir uma lógica de exclusão”, declarou durante sua apresentação.

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Para fundamentar a preocupação, o executivo apresentou dados estatísticos que revelam persistentes barreiras de infraestrutura no país. Atualmente, cerca de 15% das pessoas com mais de dez anos de idade ainda estão completamente desconectadas da internet, enquanto apenas 65% dos domicílios situados nas classes D e E possuem algum tipo de acesso à rede. Como a tecnologia da TV 3.0 opera prioritariamente por meio de codificadores digitais integrados ao sinal aberto, sem exigir obrigatoriamente pacotes de banda larga residencial para funções básicas, a ferramenta ganha potencial para democratizar o fluxo informacional de maneira ampla.

A capilaridade da televisão como ferramenta de cidadania

A capilaridade do meio televisivo foi outro ponto de destaque apontado por Daniela André, diretora da TV Câmara. Segundo a gestora, considerando que o televisor está presente em aproximadamente 95% dos lares brasileiros, a adoção do padrão tecnológico avançado representa uma oportunidade ímpar para aproximar o cidadão das instâncias do poder público. “Nosso papel de TV pública é não deixar ninguém para trás”, resumiu.

A proposta técnica e institucional em desenvolvimento prevê que o novo ecossistema incorpore gradualmente recursos interativos e ferramentas de governo digital por meio da Plataforma Mais.br. Com isso, o aparelho televisor deixará de ter uma função meramente receptiva de programação tradicional e transmissões solenes, passando a funcionar como um ponto de interface direta com serviços governamentais essenciais.

Entre as funcionalidades estudadas para integrar a interface estão o acesso facilitado a portais como o Meu SUS, o Meu INSS, o e-Cidadania e serviços eleitorais. Além disso, o sistema prevê a emissão direta de alertas climáticos de Defesa Civil, avisos sobre campanhas nacionais de vacinação e outras notificações de utilidade pública diretamente na tela dos espectadores.

Integração institucional e alcance híbrido

O ecossistema em construção também exige forte cooperação entre as diferentes emissoras que compõem a rede pública de comunicação. Érico da Silveira, diretor da TV Senado, defendeu a necessidade de unificar esforços e acervos entre as instituições governamentais de diferentes esferas. “O cidadão e a vida não são compartimentados em esfera municipal, estadual ou federal”, argumentou, apontando que a união de conteúdos visa entregar uma experiência democrática mais coesa.

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A articulação entre os setores público e privado também foi pontuada por Carlos Eduardo Neiva Melo, vice-presidente de Rede e Tecnologia da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura e Radiodifusão (ASTRAL). Para ele, o desenvolvimento do padrão representa um marco inédito de cooperação multissetorial, refletido também na concepção conjunta da Plataforma Mais.br.

Do ponto de vista regulamentar e de infraestrutura de redes, Wilson Diniz Wellisch, secretário de Serviços de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, explicou que a arquitetura do aplicativo DTV+ e da plataforma comum foi estruturada precisamente para expandir as fronteiras da radiodifusão pública. As diretrizes estabelecem que o aplicativo de serviços deve ocupar posição de destaque na interface inicial dos aparelhos compatíveis e nos catálogos de canais.

“Como a plataforma também funciona em cima de uma comunicação online, nas regiões onde não houver serviços de radiodifusão das TVs públicas, o conteúdo poderá ser distribuído via streaming”, esclareceu Wellisch, avaliando que a convergência entre conteúdo, conectividade e utilidade pública tende a elevar o interesse do público pela programação aberta.

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A gestão unificada desse ambiente tecnológico caberá a um comitê executivo pluripoderes, conforme explicou Tatiana Ladeira, representante do secretário de Políticas Digitais da Presidência da República, João Brant. O grupo terá a missão de centralizar a oferta de serviços públicos digitais em um único canal de comunicação visual. “A TV 3.0 oferece a tecnologia, a plataforma entrega cidadania”, concluiu.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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