Visando intensificar as ações preventivas relacionadas à segurança das barragens, a Defesa Civil do Paraná organizou duas reuniões nos dias 18 e 19 de outubro com o Comitê Paranaense de Segurança de Barragens, além de empresas que operam barragens, sejam elas uma atividade principal ou secundária. O encontro, que ocorreu de forma híbrida, contou com a participação de mais de 30 representantes de empresas geradoras de energia, mineradoras e de entidades envolvidas no armazenamento, tratamento e distribuição de água.
De acordo com o coronel Ivan Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, a antecipação do calendário de reuniões regulares se deu em razão do fenômeno meteorológico El Niño e da previsão de chuvas acima da média. “Estamos preocupados com o impacto que um volume excepcional de chuvas pode ter sobre as barragens do Estado. Por isso, convocamos as principais operadoras para que tenham um olhar especial em face de um eventual cenário extremo”, destacou.
Atualmente, o Paraná conta com 2.064 barragens que desempenham diversas funções, incluindo a geração de energia hidrelétrica, abastecimento público, irrigação, armazenamento de água, contenção de rejeitos industriais e de mineração, além do uso agropecuário.
“Os resultados das medidas já foram apresentados, levando em consideração o El Niño. Temos a certeza de que, diante de qualquer evento, as barragens estarão instaladas de tal forma que garantam total segurança contra possíveis acidentes”, afirmou Fernandes.
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A segurança no abastecimento de água
A Sanepar, responsável pelo controle de cinco grandes reservatórios de água na Região Metropolitana de Curitiba – Miringuava, Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II – enfatizou, durante a reunião, a importância de avaliações técnicas regulares para garantir a segurança das suas estruturas. Essas avaliações incluem inspeções em componentes hidráulicos, eletromecânicos, civis e geotécnicos.
Conforme explicou Arion Garcia, coordenador de Produção da Sanepar, a avaliação técnica de 2025 abrangeu todos os aspectos de conformidade estrutural, desde a construção até o funcionamento, incluindo a Barragem Piraquara I, a mais antiga, que foi inaugurada em 1979. Mensalmente, a Sanepar executa leituras de instrumentos de medição nas barragens, garantindo o funcionamento correto e realizando reparos quando necessário.
“Os resultados mostraram que todos os reservatórios atendem aos requisitos de segurança e são capazes de escoar o volume de água previsto no projeto, considerando ainda os registros das chuvas mais intensas já identificadas”, detalhou Garcia.
Reservatórios de grande porte desempenham um papel essencial no controle de grandes volumes de chuva. Essas estruturas permitem o armazenamento de água e uma liberação constante, o que ajuda a diminuir picos de vazão nos rios, minimizando problemas de alagamentos. Além disso, elas asseguram o abastecimento público durante períodos de escassez hídrica e ajudam a atenuar os impactos das cheias durante a temporada chuvosa.
Cuidados com a comunidade
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O lago da Itaipu Binacional, que possui capacidade de armazenamento de 29 bilhões de metros cúbicos de água, cobre uma área total de 1.350 quilômetros quadrados, abrangendo municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul. Durante períodos de chuvas excessivas, pode ser necessário escoar água pelo vertedouro para garantir a segurança da barragem.
No encontro, representantes da empresa compartilharam estratégias para lidar com enchentes que afetam a operação da usina. A Itaipu conta com uma equipe que monitora continuamente as condições dos rios nas proximidades e publica diariamente um Boletim Hidrológico, que pode ser consultado no site da usina, informando sobre os níveis dos rios abaixo da usina, com projeções para os próximos dois dias.
Se as previsões indicarem uma elevação atípica nos níveis dos rios, é convocada a Comissão Especial de Cheias (CEC), que envolve representantes brasileiros e paraguaios de diversas áreas da usina, cada um com suas funções e responsabilidades bem definidas. O coronel Washington Rosa, superintendente de Segurança Empresarial da Itaipu, destacou que a área é responsável por manter a Defesa Civil informada sobre possíveis cenários de inundações.
“O excesso de chuvas pode elevar o nível do Rio Paraná a jusante da usina. Enquanto conseguimos reter, controlamos essa água para atenuar ou mesmo reduzir as enchentes em alguns bairros de Foz do Iguaçu e em municípios paraguaios ao longo do curso do rio. Dessa forma, realizamos ações preventivas para minimizar os impactos sobre os moradores, especialmente nas áreas consideradas de risco de inundações”, explicou Rosa.
Fonte:: parana.pr.gov.br


