Deputado israelense ataca memorial palestino na Cisjordânia com marreta

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Um parlamentar israelense de extrema-direita realizou um ataque contra um memorial palestino localizado na Cisjordânia ocupada, utilizando uma marreta para destruir o monumento. A ação ocorreu nesta terça-feira, 24, enquanto o político estava sob escolta de militares. O episódio gerou forte repercussão negativa e foi reprovado tanto pelas Forças de Defesa de Israel quanto por lideranças políticas do país.

Registros visuais compartilhados em plataformas digitais evidenciam o momento em que Zvi Sukkot, que atua como deputado, colono e ativista político, desfere golpes contra uma estrutura erguida em homenagem aos mártires na vila palestina de Madama, situada na região norte da Cisjordânia. Nas imagens, membros das forças de segurança aparecem nas proximidades, apenas observando a depredação do monumento.

Por meio de publicações em suas redes sociais acompanhadas de um registro em vídeo da ação, Sukkot justificou o ato. Segundo ele, dias antes havia exigido que o exército adotasse providências para remover homenagens consideradas por ele como alusões a terroristas em vilarejos locais, citando especificamente as localidades de Madama e Burin. Diante da permanência das estruturas, o parlamentar decidiu ir pessoalmente ao local para executar a remoção.

Posicionamento oficial das Forças Armadas de Israel

Em contato com agências internacionais de notícias, representantes do Exército israelense esclareceram que Zvi Sukkot e seus acompanhantes ingressaram na área sob a proteção de tropas militares. Contudo, a corporação destacou que os soldados envolvidos haviam sido desviados de suas atribuições operacionais ordinárias sob pretexto de uma visita monitorada.

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De acordo com a nota emitida pelos militares, os participantes agiram de maneira manipuladora e em desacordo com a coordenação previamente estabelecida. A corporação enfatizou que o grupo desviaou completamente do protocolo autorizado ao iniciar a demolição de um dos monumentos na vila de Madama sem qualquer respaldo legal ou institucional.

Ainda conforme o relato militar, assim que a destruição começou, os soldados presentes comunicaram imediatamente o incidente aos comandantes superiores. A ordem imediata foi para que a atividade fosse paralisada e os envolvidos fossem retirados da área sob escolta rápida, sendo direcionados para fora da comunidade palestina.

O comando militar classificou a conduta de Sukkot como extremamente grave, ressaltando que o parlamentar utilizou a proteção concedida pelas forças de segurança de forma abusiva para burlar os protocolos operacionais vigentes e atuar à margem da legalidade.

Repercussão política e críticas ao governo

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, manifestou-se sobre o ocorrido, reiterando que o exército é a única autoridade soberana na região da Judeia e Samaria, nomenclatura bíblica utilizada para se referir à Cisjordânia. Para o chefe de governo, práticas que envolvem fazer justiça com as próprias mãos, especialmente quando perpetradas por figuras públicas, são repreensíveis e comprometem a capacidade das forças armadas de cumprirem suas missões prioritárias de combate ao terrorismo.

O episódio também atraiu duras críticas de opositores políticos. Gadi Eisenkot, apontado como o principal rival de Netanyahu no cenário eleitoral, utilizou uma rede social para reprovar duramente a conduta do parlamentar aliado ao governo. Segundo Eisenkot, o comportamento de Zvi Sukkot representa uma desonra para qualquer representante público e evidencia a leniência da gestão atual.

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O opositor acusou o primeiro-ministro de permitir que figuras descritas por ele como anarquistas ajam sem restrições, o que, em sua visão, acaba por comprometer a segurança nos assentamentos e manchar a imagem internacional de Israel.

Do lado palestino, Rami Nassar, que lidera o conselho da vila de Madama, explicou que o memorial destruído continha os nomes de moradores locais mortos em diferentes momentos históricos do conflito, abrangendo desde confrontos datados de 1968 até episódios ocorridos durante a primeira e a segunda intifadas, além de baixas registradas em períodos recentes.

Fonte:: estadao.com.br

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