Discord recorre contra proibição de transmissões ao vivo e pede prazo maior

Marcelo Borges
4 min. de leitura
App de mensagens Discord é acusado de não agir ...

O aplicativo de mensagens Discord protocolou um pedido oficial de contestação contra a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que determinou a interrupção imediata das transmissões ao vivo e do compartilhamento de tela em sua plataforma em todo o território nacional. A empresa argumenta que o prazo estipulado pelo órgão regulador é inexequível e solicita a revogação temporária da medida até que ocorra uma reunião técnica detalhada sobre o caso.

A petição, apresentada formalmente, traz novos esclarecimentos jurídicos e técnicos por parte da companhia. De acordo com os representantes do Discord, a ordem da ANPD foi emitida antes mesmo do esgotamento do prazo original concedido para que a empresa pudesse apresentar sua defesa e demonstrar as ações já adotadas em termos de segurança digital.

Dificuldades técnicas e prazo contestado

No documento enviado à agência reguladora, a plataforma destacou que o prazo de três dias úteis estabelecido para o cumprimento da ordem é tecnicamente insuficiente. A defesa da empresa aponta que suspender as lives no Brasil vai muito além de um simples desligamento de chave, exigindo o desenvolvimento e a implementação de complexos mecanismos de engenharia para evitar que os usuários consigam burlar as restrições impostas.

Diante desse cenário, a empresa solicitou formalmente a concessão de um prazo de 15 dias úteis para conseguir implementar as exigências de segurança de forma estruturada. Além disso, os administradores da plataforma sustentam que a natureza da determinação possui um caráter punitivo severo, o qual, segundo a argumentação jurídica apresentada, deveria ser avaliado e decidido pelo Poder Judiciário.

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Entenda o contexto da suspensão pela ANPD

A determinação da ANPD foi anunciada em caráter preventivo após o órgão identificar falhas graves na proteção de crianças e adolescentes que utilizam o ambiente virtual da rede social. A ofensiva regulatória ganhou força e repercussão nacional após manifestações públicas cobrando maior rigor no controle de plataformas digitais, em meio a investigações sobre crimes cibernéticos contra menores.

As apurações que motivaram a sanção administrativa envolvem episódios de extrema violência e coerção psicológica dentro de comunidades virtuais. Um dos casos centrais que impulsionou as investigações ocorreu com uma adolescente de 13 anos na cidade de Naviraí, no Mato Grosso do Sul, que acabou sendo induzida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo realizada em canais da plataforma.

O caso é investigado minuciosamente no contexto da Operação Lívia, uma força-tarefa conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com o apoio direto do Ministério da Justiça e Segurança Pública. As autoridades buscam desarticular uma suposta organização criminosa estruturada em ambientes digitais para atrair menores de idade, submetendo-os a pressões psicológicas, desafios perigosos de automutilação, violência contra animais e indução ao suicídio.

Durante a primeira fase ostensiva da operação policial, as autoridades cumpriram diversos mandados de busca e apreensão em diferentes unidades federativas, incluindo Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Na ocasião, cinco adolescentes suspeitos de envolvimento nas dinâmicas dos grupos foram apreendidos, e um homem de 18 anos foi preso preventivamente para responder pelas acusações no âmbito das investigações em curso.

Fonte:: ric.com.br

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