EUA marcam novas conversas de paz entre israel e líbano em roma para setembro

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O governo dos Estados Unidos anunciou que uma nova rodada de negociações diplomáticas entre Israel e o Líbano ocorrerá no mês de setembro, na cidade de Roma. A informação foi formalmente confirmada por representantes do Departamento de Estado norte-americano, que tem atuado como principal mediador nas conversas para tentar pacificar a região do Oriente Médio.

A iniciativa diplomática ocorre na sequência de um entendimento preliminar alcançado pelas partes em junho. Esse acordo inicial, costurado sob a tutela de Washington, estabelece diretrizes sensíveis para a estabilização da zona de fronteira, incluindo o desarmamento progressivo do grupo xiita Hezbollah, a retirada gradual das tropas de Israel do sul do território libanês e o posicionamento oficial do Exército do Líbano em áreas-piloto previamente determinadas na região sul.

O encontro em solo italiano marcará a oitava rodada de tratativas desde que o conflito regional se intensificou em março. Na ocasião, o Hezbollah ampliou as hostilidades ao disparar diversos foguetes contra o território israelense, em uma demonstração de apoio ao Irã, seu principal aliado estratégico. A resposta de Israel veio em forma de uma intensa campanha de ataques aéreos e uma subsequente ofensiva terrestre. De acordo com dados fornecidos pelo governo libanês, as ações militares acumulam um saldo superior a 4,3 mil mortos.

Recentemente, a tensão voltou a subir quando as Forças de Defesa de Israel emitiram a primeira ordem formal de evacuação para civis desde o mês de junho. Os militares ordenaram que os moradores da localidade de Mansouri deixassem suas residências imediatamente e buscassem abrigo mais ao norte. A justificativa oficial apontou supostas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah.

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Apesar de episódios pontuais de violência e da manutenção de ordens de evacuação, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) divulgou que mais de 800 mil pessoas deslocadas já haviam iniciado o retorno às suas comunidades de origem após a diminuição dos confrontos em maior escala. Contudo, o cenário humanitário ainda permanece delicado, com cerca de 360 mil cidadãos continuando fora de suas moradias.

Negociações sob forte pressão política e militar

Geograficamente situada a aproximadamente nove quilômetros ao sul da cidade de Tiro e a cerca de dez quilômetros da linha divisória com Israel, a vila de Mansouri voltou a sofrer impactos diretos de investidas aéreas e disparos de artilharia nas últimas semanas, colocando à prova o frágil cessar-fogo estabelecido em junho.

No final de junho, a administração municipal havia autorizado o regresso da população local, recomendando apenas que evitassem transitar pelos setores integrados à chamada zona de segurança imposta unilateralmente por Israel ao longo da fronteira. Esta faixa de aproximadamente dez quilômetros de profundidade, encravada em território libanês, continua sob rigoroso controle e atuação de operações militares israelenses.

Informações repassadas por um porta-voz do Departamento de Estado americano à agência de notícias AFP indicam que a pauta das conversas em Roma abrangerá a expansão das zonas-piloto previstas no entendimento anterior, a solução definitiva para impasses territoriais na fronteira e a estruturação de um tratado abrangente voltado à segurança mútua e à paz duradoura entre as duas nações.

Em contrapartida, o cenário interno no Líbano segue polarizado. O principal líder do Hezbollah, Naim Qassem, reafirmou publicamente sua oposição a qualquer formato de negociação direta com o Estado israelense. Durante pronunciamento, Qassem declarou que o processo de diálogo simboliza unicamente “vergonha, humilhação e concessões sucessivas” para o povo libanês, reforçando que o grupo armado não tem intenção de entregar seu arsenal militar.

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Mesmo com a trégua e com a assinatura de um entendimento preliminar em junho entre Estados Unidos e Irã para mitigar a crise regional, autoridades do Líbano seguem documentando ataques aéreos, bombardeios pontuais e operações de demolição executadas pelas forças israelenses no sul do país.

Desde o deflagrar das hostilidades contra o Hezbollah, o balanço oficial aponta que Israel contabilizou a morte de 38 militares e de um prestador de serviços civis vinculado às suas Forças Armadas.

Fonte:: estadao.com.br

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