O Festival Nacional da Matemática (FestMat 2026) teve início nesta quinta-feira (27), na cidade do Rio de Janeiro, com uma proposta inovadora de utilizar uma abordagem pop e interativa para aproximar a população desta ciência exata. Realizada no Aterro do Flamengo, a quarta edição do evento é promovida pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e segue com programação intensa até o próximo domingo (30).
Nos dois primeiros dias de atividades, a prioridade foi o atendimento a turmas de estudantes da rede de ensino, mediante agendamento prévio. Já para o sábado e o domingo, a programação foi aberta ao público em geral, exigindo apenas a retirada prévia de ingressos gratuitos diretamente pelo site oficial do evento.
Com o lema “A Matemática é Pop – Descubra os mundos da matemática”, o festival estruturou suas atrações inspirando-se na estética das histórias em quadrinhos (HQ). O espaço foi dividido em seis ambientes temáticos distintos, pensados para traduzir conceitos complexos em experiências lúdicas e acessíveis para todas as idades.
Entre os cenários apresentados aos visitantes estão o mundo da geometria, focado no estudo das formas e proporções; o mundo da aritmética, que trabalha de maneira dinâmica com os números; e o mundo da dinâmica, dedicado a explicar fenômenos naturais e físicos que evoluem no decorrer do tempo.
O diretor-geral do Impa, Marcelo Viana, destacou que o planejamento da iniciativa priorizou a criação de representações concretas para combater a ideia de que a matemática se resume a teorias abstratas e distantes da realidade cotidiana.
“Em cada caso, tem um parceiro que está lá com jogos ligados àquele tema, disponíveis para a garotada brincar. É um sucesso”, afirmou o dirigente durante a abertura do festival.

A programação também abrigou estandes institucionais de destaque, a exemplo do projeto Meninas Olímpicas do Impa (MOI), uma iniciativa contínua voltada para estimular a participação e o protagonismo feminino nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. O público também pôde conhecer mais sobre a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).
Outro atrativo de grande apuro visual e técnico veio do No Fluid, o Laboratório de Dinâmica de Fluidos do Impa. O espaço permitiu que os visitantes vivenciassem simulações de diferentes tipos de turbulência e experimentassem os ruídos característicos do mar.
“A produção está muito caprichada. Foi uma colaboração entre o próprio pesquisador e a nossa equipe. Tem uma espécie de túnel de vento mostrando o fenômeno de turbulência e como ela é importante para a geração de energia a partir de ondas e do som. É quase cinema”, avaliou Viana.
Cinema, games e teatro no centro da programação
A agenda cultural do FestMat 2026 integrou diversas linguagens artísticas e tecnológicas. Os visitantes tiveram a oportunidade de assistir ao documentário “Counted out – Matemática é poder”, lançado em 2024, que aborda de que maneira os números estruturam os pilares da sociedade moderna, exercendo influência direta desde a gestão de orçamentos familiares até a formulação de políticas públicas em grande escala.

Para Marcelo Viana, a compreensão dessas ferramentas é urgente no cenário contemporâneo:
“Hoje em dia, tudo está sendo definido por ferramentas de inteligência artificial (IA), que é matemática na sua base. Então, quem controla o conhecimento matemático adquire um poder que não tem precedente na história. E quem tem o poder o exerce. Se você não tem, vai ser vítima desse poder”, pontuou.
A programação cênica contou com a apresentação da peça teatral “Constante e Finito”, realizada pela Trestada Produções. A obra cênica buscou inspiração direta nos textos da coluna “Matematicamente”, assinada pelo professor da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Roitman, e veiculada na revista Ciência Hoje das Crianças.
No setor de entretenimento digital, a Arena Gamer se consolidou como um dos pontos mais movimentados, oferecendo títulos desenvolvidos pelo projeto AfroGames, incluindo um jogo inédito criado com exclusividade para esta edição do FestMat.

Ao fazer um balanço das atrações, o diretor-geral do Impa reforçou que a estrutura foi concebida para contemplar públicos de diferentes faixas etárias, priorizando a diversão aliada ao aprendizado.
“De um ano a 99 anos tem alguma coisa para você fazer. E o melhor é que a garotada está muito animada. Este é o nosso público alvo”, concluiu.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


