O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente os juros cobrados no cartão de crédito durante uma entrevista concedida na última quinta-feira. O chefe do Executivo classificou a situação atual das taxas praticadas no mercado financeiro como um verdadeiro crime contra a população e adiantou que o governo federal discute ativamente com o Banco Central formas de restringir a emissão de múltiplos cartões por correntista.
Durante sua participação em entrevista ao Flow Podcast, o mandatário expressou indignação com os percentuais cobrados das famílias brasileiras. “Quanto é que o povo paga? É 493%, 500% no cartão de crédito. Dá para fazer alguma coisa. É o que eu estou exigindo que faça agora”, declarou o presidente ao abordar a necessidade de intervenção e controle sobre as taxas do rotativo.
Na visão do governo, a facilidade com que as instituições financeiras disponibilizam instrumentos de endividamento sem a devida anuência ou necessidade do cliente contribui de maneira direta para o descontrole financeiro das famílias. “É um crime. Os bancos hoje distribuem cartão de crédito sem saber se você quer. Eles mandam para você”, criticou Lula, destacando a postura agressiva do setor bancário na conquista de novos clientes para linhas de crédito de alto risco.
Debate com a autoridade monetária
Diante desse cenário de endividamento generalizado, o presidente da República pontuou que o tema faz parte de negociações constantes com a diretoria do Banco Central. A intenção do Palácio do Planalto é estabelecer barreiras regulatórias que limitem a quantidade de plásticos que um único cidadão pode acumular no mercado.
“Nós estamos discutindo com o Banco Central. Nós vamos proibir os bancos de darem mais de um cartão de crédito para as pessoas”, enfatizou o chefe de Estado, sinalizando que medidas mais restritivas devem ser anunciadas em breve pelo Executivo em conjunto com a autoridade monetária.
O peso dessa modalidade de crédito no orçamento das famílias é corroborado por estatísticas oficiais do próprio setor financeiro. Dados divulgados pelo Banco Central apontam que a taxa média de juros aplicada no crédito rotativo do cartão alcançou patamares alarmantes, atingindo 449,4% ao ano em agosto, o que consolida a linha como uma das mais onerosas e perigosas para o consumidor dentro do sistema financeiro nacional.
Impacto na economia doméstica
O avanço desregulado do endividamento por meio de cartões tem gerado debates profundos entre economistas e formuladores de políticas públicas. A facilidade para contrair dívidas de curto prazo com custos estratosféricos pressiona a renda das famílias de diferentes classes sociais, comprometendo o poder de compra e elevando os índices de inadimplência em todo o país.
Ao abordar a temática na entrevista, Lula conectou diretamente a facilidade na concessão de crédito ao aumento das dívidas da classe média e das camadas de menor renda. O argumento central da administração federal é de que a imposição de limites à emissão de cartões funcionará como um mecanismo de proteção para evitar que o cidadão comum seja tragado por juros compostos difíceis de pagar.
A discussão sobre o teto e o controle de juros e tarifas bancárias segue como um dos pontos sensíveis na pauta econômica do governo, que busca alternativas para mitigar os efeitos da inflação e do endividamento sobre a população, enquanto o cenário político e eleitoral se desenha para os próximos meses.
Fonte:: cnnbrasil.com.br

