Líbano se posiciona sobre acordo entre EUA e Irã

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, declarou nesta quarta-feira, 17, que as discussões entre seu país e Israel, que estão ocorrendo em Washington, devem ser vistas como independentes do acordo que está sendo trabalhado entre os Estados Unidos e o Irã, com foco na resolução dos conflitos no Oriente Médio.

“As garantias que recebemos, e a insistência de nossa parte, são de que as negociações do Líbano sejam conduzidas de forma autônoma. É claro que apoiamos um cessar-fogo e qualquer iniciativa que envolva ajuda externa, incluindo a do Irã”, disse Aoun, conforme um comunicado oficial emitido por seu gabinete. Isso ocorre em um momento em que o Irã e o Paquistão afirmaram que o Líbano seria parte do acordo em discussão.

Aoun ressaltou ainda que o Estado libanês deve ser visto como soberano em suas decisões, afirmando que, pela primeira vez, o Líbano está liderando as negociações, sem que outros países o façam em seu nome. Esta declaração ocorre a poucos dias da quinta rodada das conversas entre representantes de Israel e do Líbano, programadas para a próxima semana.

No mesmo dia, forças israelenses realizaram novos ataques na região sul do Líbano. De acordo com relatos da Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), aviões israelenses bombardearam áreas em Nabatieh al-Fawqa e nos arredores da cidade de Kfar Tebnit. Até o momento, Israel não comentou oficialmente esses ataques, mas já havia declarado que seus alvos são as milícias do Hezbollah, um grupo xiita com apoio do Irã.

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Paquistão confirma inclusão do Líbano no acordo

Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, destacou a necessidade de que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, agisse de forma mais responsável em relação à situação do Líbano.

Embora o texto final do acordo entre os EUA e o Irã ainda não tenha sido revelado, o Paquistão, que atua como mediador, confirmou que o Líbano está incluído nas discussões. Nos últimos dias, Netanyahu reiterou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano, mesmo diante do acordo que visa encerrar a escalada de tensões militares na região.

Israel definirá suas próprias ações

O primeiro-ministro israelense afirmou que Israel não participou diretamente das negociações conduzidas por Trump e que continuará tomando decisões que priorizam a segurança nacional.

Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, Netanyahu revelou que o Irã pressiona por condições que incluiriam a retirada das forças israelenses do Líbano, mas esta demanda não foi aceita. “O Irã queria que nos retirássemos de lá, mas isso não se concretizou. E isso se deve à minha firmeza na posição”, declarou.

Netanyahu também reiterou que a principal preocupação de seu governo é impedir que o Irã desenvolva tecnologia para armas nucleares. “Independentemente de haver um acordo ou não, faremos o que for necessário para evitar que o Irã adquira armas nucleares. Enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, isso não acontecerá”, afirmou.

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Israel mantém uma zona de segurança no sul do Líbano desde a ofensiva contra o Hezbollah, desencadeada após os ataques desse grupo ao território israelense durante os primeiros dias do conflito atual. Desde o início das negociações, o Irã defende que a retirada da presença militar israelense na região é essencial para qualquer entendimento com os EUA.

Em meio a tais pressões, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as tropas israelenses permanecerão no Líbano, um ponto que destaca as divergências entre a posição de Netanyahu e a estratégia da administração Trump para resolver o conflito com o Irã.

Durante as negociações, Trump chegou a manifestar preocupação em relação aos bombardeios israelenses em Beirute, advertindo que novas ofensivas poderiam prejudicar as conversas em andamento. Entretanto, ele optou por seguir adiante com o acordo, sem atrelá-lo à retirada das forças israelenses do território libanês. /Com informações da AP e AFP

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Fonte: estadao.com.br

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