O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o palco internacional para reforçar críticas ao modelo de atuação das grandes empresas de tecnologia e exigir maior rigor regulatório sobre as ferramentas digitais. Durante pronunciamento na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada nos Estados Unidos, o chefe do Executivo brasileiro destacou a urgência de estabelecer uma governança global para a inteligência artificial e para a atuação das chamadas big techs.
De acordo com o mandatário, a sociedade contemporânea atravessa uma transformação tecnológica profunda, marcada tanto por possibilidades inéditas quanto por ameaças significativas. Em sua fala, Lula criticou o que classificou como uma tentativa de imposição de um modelo sem fiscalização por parte do setor tecnológico.
“Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades. Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência”, afirmou o presidente brasileiro perante líderes globais reunidos em Nova York.
Responsabilidade das corporações digitais
O discurso do presidente brasileiro também abordou a responsabilidade social das corporações do setor digital sobre os impactos que seus produtos geram no cotidiano da população, especialmente entre crianças e jovens. Para ele, há uma transferência indevida de deveres na tentativa de blindar os algoritmos de questionamentos.
“Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos”, pontuou Lula, reforçando a necessidade de maior controle estatal e cooperação internacional para coibir abusos e proteger os direitos fundamentais dos cidadãos no ambiente virtual.
No entendimento do governo brasileiro, o avanço da inteligência artificial não pode ficar restrito ao domínio de um grupo reduzido de nações ou de corporações privadas. O argumento central é que a inovação tecnológica precisa atuar como um instrumento para diminuir as disparidades socioeconômicas e promover o desenvolvimento coletivo, em vez de intensificar divisões regionais ou servir como vetor para a proliferação de conflitos geopolíticos.
Por essa razão, o presidente defendeu a construção de parâmetros multilaterais que contem com a participação direta dos governos na formulação de diretrizes para a proteção de dados pessoais e salvaguardas democráticas.
Defesa do sistema de pagamentos instantâneos
Ainda durante sua intervenção na tribuna da ONU, Lula aproveitou para sair em defesa do Pix, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos gerido pelo Banco Central. O mecanismo tornou-se referência internacional em inclusão financeira e eficiência nas transações monetárias cotidianas.
O presidente foi enfático ao rejeitar qualquer tentativa de mercantilização ou interferência externa na infraestrutura pública de pagamentos do país.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, declarou.
A menção ao sistema brasileiro reforçou a postura do governo em prol da soberania digital e econômica, contrapondo-se a interesses corporativos que buscam a apropriação de serviços públicos essenciais de grande capilaridade.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


