Milei intensifica ataques e volta a chamar lula de corrupto e ladrão

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a subir o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista recente concedida ao canal LN+. A nova manifestação ocorre apenas uma semana após declarações do líder argentino terem gerado um mal-estar diplomático significativo entre Buenos Aires e Brasília.

Durante a conversa com a emissora, Milei utilizou termos severos para se referir ao mandatário brasileiro, chamando-o de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”. O chefe de Estado argentino sustentou suas afirmações argumentando que o petista teria sido condenado no passado e que sua libertação teria ocorrido por conta de trâmites processuais, e não por uma declaração de inocência.

O contexto jurídico das condenações no Brasil

As acusações feitas pelo presidente argentino ignoram as decisões formais tomadas pelo poder judiciário brasileiro. As condenações impostas a Lula no âmbito da Operação Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano de 2021. Na ocasião, a Suprema Corte entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba carecia de competência jurídica para julgar os referidos casos, o que devolveu os direitos políticos ao atual ocupante do Planalto. Além disso, o STF reconheceu a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro na condução do processo relacionado ao triplex do Guarujá.

Questionado pelo entrevistador se reconsideraria as ofensas proferidas anteriormente, Milei manteve a postura defensiva e desafiadora. “A pergunta é: eu menti?”, declarou ao canal de televisão, reafirmando o teor de suas críticas.

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Crise diplomática e reações do Itamaraty

O atrito entre os governos teve início quando o líder argentino fez ataques públicos durante um evento político em São Paulo, realizado para oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil, configurando um cenário de disputa para o pleito de outubro.

Como resposta imediata à escalada verbal, o governo brasileiro adotou medidas diplomáticas firmes. O Itamaraty convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas em solo nacional e chamou o representante diplomático da Argentina na capital federal para manifestar formalmente o repúdio do país, exigindo esclarecimentos tanto pelas falas direcionadas a Lula quanto pelos ataques desferidos contra o ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF.

Apesar do endurecimento da retórica por parte de Milei, autoridades da administração argentina tentaram atenuar a crise ao longo da semana. O ministro das Relações Exteriores do país vizinho, Pablo Quirno, veio a público declarar que não havia qualquer hipótese de rompimento nas relações bilaterais com o Brasil, classificado como o principal parceiro comercial da nação argentina.

Novas acusações e comparações internacionais

Contudo, a trégua durou pouco. No domingo seguinte às tentativas de pacificação, Milei retomou os ataques e acusou Lula de liderar articulações de “interferência política” na Argentina e em outras nações da América do Sul, embora não tenha apresentado evidências para sustentar a alegação.

O presidente argentino também aproveitou o espaço na entrevista para criticar o que classificou como um duplo padrão na repercussão internacional de suas falas. Segundo ele, manifestações e críticas severas direcionadas a sua gestão por lideranças estrangeiras — a exemplo do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez — não recebem o mesmo nível de condenação internacional.

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“Quando me insultam, está tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado. O pior é que eles acusam com mentiras, e eu respondo com verdades”, concluiu o chefe de Estado, intensificando o tom de confronto político à medida que se aproximam os novos ciclos eleitorais na região.

Fonte:: estadao.com.br

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