Ministério Público do Rio de Janeiro mira esquema bilionário de apostas online ilegais

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, nesta quinta-feira (13), uma operação com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na exploração clandestina de mercados de apostas online, conhecidas popularmente como bets, além de aplicar fraudes sistemáticas contra consumidores em território nacional.

Batizada de Operação Aposta Suja, a ação coordenada contou com a expedição de sete mandados de busca e apreensão pela 3ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. As diligências foram cumpridas simultaneamente em diferentes regiões do país, abrangendo os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, com o suporte de equipes policiais locais para garantir o cumprimento das ordens judiciais.

As investigações conduzidas pelas autoridades competentes apontam que o esquema fraudulento de apostas virtuais esteve em atividade entre os anos de 2022 e 2026. Nesse período, a rede criminosa movimentou uma quantia impressionante que supera a marca de R$ 1,4 bilhão em transações financeiras ilícitas.

Durante a execução das medidas cautelares de busca e apreensão, os agentes recolheram diversos bens e materiais de interesse para a instrução criminal. No estado do Rio de Janeiro, foram confiscados um automóvel e dois telefones celulares. Na Bahia, a fiscalização resultou na apreensão de dois veículos de alta gama, além de dispositivos eletrônicos variados e montantes em dinheiro em espécie. Já no estado de São Paulo, o balanço da operação incluiu o sequestro de dois carros de luxo, relógios de alto valor, dinheiro vivo, aparelhos celulares e outros equipamentos eletrônicos.

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Modus operandi e lavagem de capitais

De acordo com o aprofundamento das apurações, a estrutura criminosa operava administrando múltiplos portais de apostas na internet. O mecanismo consistia em direcionar os depósitos realizados pelos usuários diretamente para contas de empresas de fachada criadas especificamente para ocultar os verdadeiros beneficiários.

Além de funcionarem à margem da legalidade, sem a devida autorização ou regulamentação por parte do Ministério da Fazenda, as plataformas utilizavam artifícios tecnológicos e contratuais para lesar os clientes. Os apostadores, após depositarem seus recursos, eram sistematicamente impedidos de realizar os saques dos valores acumulados em suas carteiras virtuais.

Assim que os fundos eram captados das vítimas, a organização iniciava uma complexa rede de lavagem de dinheiro para ocultar a origem ilícita do capital. O processo envolvia a conversão dos valores em criptoativos, a pulverização do montante em dezenas de contas bancárias de passagem e a realização de remessas internacionais de recursos, manobras destinadas a reintroduzir o dinheiro sujo de forma legalizada na economia formal.

Movimentação financeira e relatórios de inteligência

A dimensão da fraude veio à tona por meio de um detalhado Relatório de Inteligência Financeira (RIF) elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento reuniu mais de 800 comunicações detalhando operações financeiras consideradas atípicas e suspeitas ocorridas entre 2022 e 2026.

Os dados consolidados confirmam o volume superior a R$ 1,4 bilhão em circulação irregular. Os peritos destacaram ainda que, desse total expressivo, mais de R$ 100 milhões foram movimentados de forma isolada por apenas uma das empresas jurídicas utilizadas pelo esquema criminoso para burlar os órgãos de controle do governo brasileiro.

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As autoridades continuam a análise do material apreendido nos três estados para identificar outros participantes da rede, recuperar ativos em favor das vítimas e desmantelar totalmente a infraestrutura tecnológica utilizada pelas empresas falsas de apostas.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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