O Ministério Público Eleitoral (MPE) protocolou nesta terça-feira (5) um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o intuito de esclarecer o resultado do julgamento que declarou o ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, inelegível por um período de oito anos. Segundo o recurso, assinado pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, o MPE solicita que o TSE reconheça oficialmente a cassação do diploma eleitoral de Castro, além de sua inelegibilidade.
A situação gerou polêmica uma vez que Castro renunciou ao cargo no dia 23 de março deste ano, um dia antes da decisão judicial, como parte de sua estratégia para se desincompatibilizar e tentar uma vaga no Senado nas eleições de outubro. Isso fez com que, durante o julgamento, ele não estivesse mais no cargo, levando o TSE a aplicar apenas a sanção de inelegibilidade.
Votos no julgamento
O procurador eleitoral argumenta que, no julgamento, houve uma maioria de votos a favor da cassação do diploma de Claudio Castro, embora o resultado não tenha sido explicitamente mencionado na ementa final do julgamento. Entre os sete ministros que votaram, Espinosa sustenta que apenas dois se opuseram claramente à cassação, enquanto os outros cinco pareceram a favor.
“Uma análise detalhada dos votos revela uma composição maioritária que favoreceu a cassação do diploma. Existe uma dispersão qualitativa nas decisões que justifica essa interpretação”, declarou.
Prevenção de benefícios
Espinosa também enfatizou que o pedido de esclarecimento visa impedir que Castro obtenha vantagens jurídicas por ter renunciado ao seu cargo antes do julgamento. Ele apontou que a renúncia, feita às vésperas da decisão, não pode anular a sanção de cassação do diploma, pois isso poderia desvirtuar o propósito da Lei das Inelegibilidades e premiar uma estratégia processual que busca evitar as consequências legais do ilícito eleitoral.
Impacto das eleições no Rio de Janeiro
A saída de Claudio Castro como governador gera a necessidade de convocar novas eleições para um mandato-tampão no estado do Rio de Janeiro. A questão será analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que já recebeu uma solicitação de vista do processo feita pelo ministro Flávio Dino no dia 9 de abril. Até o momento, a votação no STF está com um placar de 4 a 1 a favor da realização de eleições indiretas, que seriam decididas pelos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
No entanto, o diretório estadual do PSD está pleiteando a realização de eleições diretas, que envolveriam a escolha pela população para a gestão interina do estado. Enquanto uma definição sobre o assunto não for alcançada, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, continuará a ocupar interinamente o cargo de governador.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


