A colheita da mandioca permanece como um dos grandes desafios enfrentados pelos produtores dessa cultura. A falta de mão de obra, o elevado esforço exigido dos trabalhadores e os custos operacionais comprometeram a competitividade do setor, especialmente no que diz respeito à indústria de fécula e farinha. Nos últimos anos, diversas iniciativas para mecanizar totalmente a colheita surgiram no mercado, mas nenhuma conseguiu se estabelecer de forma duradoura.
Uma equipe de pesquisadores do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater), da Embrapa e da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) realizou uma extensa avaliação técnica da colhedora Maná-Inroda, atualmente a única máquina disponível no Brasil que consegue realizar todas as etapas da colheita da mandioca.
Mais do que simplesmente analisar essa máquina, o objetivo do estudo foi também responder a questões que têm atormentado tanto os produtores quanto os técnicos do setor. Os resultados dessa pesquisa foram recentemente publicados no informe intitulado “Desempenho técnico da colhedora de mandioca Maná-Inroda na colheita de mandioca para indústria”.
Os principais questionamentos levantados por mandiocultores foram encaminhados à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados. O pesquisador Hevandro Colonhese Delalibera, do IDR-Paraná e um dos autores do estudo, comenta que o receio quanto à nova tecnologia se deve à experiência prévia com máquinas que apresentaram muitos problemas e acabaram sendo retiradas de circulação. “Nosso objetivo foi produzir informações técnicas confiáveis que permitam verificar em quais condições essa tecnologia poderá realmente ser aplicada”, afirma Delalibera.
De acordo com o informe, os custos da mão de obra na colheita podem representar entre 15% e 30% do total dos custos de produção. Esse cenário ilustra por que a mecanização tem sido cada vez mais considerada uma necessidade para a cadeia produtiva da mandioca. “A tendência é que a mecanização da colheita se torne mais comum à medida que as dificuldades em contratar mão de obra aumentem”, complementa o pesquisador.
A equipe de pesquisadores realizou experimentos por dois anos em áreas comerciais de produtores situados em Paranavaí, na região Noroeste do Paraná. Durante o estudo, sete cultivares de mandioca industrial foram avaliadas, tanto no primeiro quanto no segundo ciclos de cultivo, levando em conta a presença ou ausência de plantas daninhas, diferentes alturas de poda e velocidades de operação da colhedora.
Os testes também incluíram condições severas de umidade do solo, simulando situações críticas que poderiam impactar o desempenho do equipamento durante a colheita.
Pontuações sobre as perdas na colheita
Na metodologia de colheita semimecanizada, que ainda é a mais utilizada nas lavouras voltadas para a indústria, a poda e o afofamento do solo são realizados por máquinas, enquanto o arranque das plantas, a separação das raízes e o carregamento dependem da mão de obra, atividades estas que exigem grande esforço físico e são reconhecidas como algumas das mais desgastantes no setor rural. “O intuito é mecanizar essas etapas mais penosas do processo”, ressalta Delalibera.
Um dos principais achados do estudo foi que as perdas não recuperáveis na colheita mecanizada foram estatisticamente equivalentes àquelas observadas na colheita semimecanizada. Isso indica que a nova tecnologia não resulta em perdas superiores ao método tradicional. “Constatamos que a máquina gera quase a mesma quantidade de perdas não recuperáveis da colheita semimecanizada, que é um dos pontos mais críticos para os produtores”, destaca o pesquisador.
Além disso, a avaliação revelou que parte das perdas que poderiam ser recuperadas pode ser minimizada por meio de práticas de manejo adequadas e pela escolha de cultivares mais apropriadas para a mecanização.
Importância do planejamento na mecanização
O documento também ressalta que a mecanização da colheita vai além da simples aquisição da colhedora. O sucesso dessa operação depende do planejamento desde a instalação da lavoura. O informe compila recomendações sobre o planejamento operacional, preparo do solo, alinhamento das linhas de plantio, controle de plantas daninhas, qualidade da poda e ajuste do subsolador.
Orientações sobre a velocidade de operação, características das cultivares mais adaptadas à mecanização e outros aspectos relevantes foram incluídas para auxiliar tanto os produtores quanto os técnicos na tomada de decisões.
Os pesquisadores Anderson de Toledo, que também é do IDR-Paraná; Rudiney Ringenberg e Daniel Portioli Sampaio da Embrapa; além de Emerson Fey da Unioeste, assinam a autoria da publicação.
O informe técnico “Desempenho técnico da colhedora de mandioca Maná-Inroda na colheita de mandioca para indústria” está disponível para download gratuito no portal do IDR-Paraná, na seção de publicações.
Fonte:: idrparana.pr.gov.br


