PGR tem prazo para analisar relatório da Polícia Federal com menções a Moraes e Gonet

Marcelo Borges
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Foto: © José Cruz/Agência Brasil

O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente sua manifestação formal a respeito de um relatório elaborado pela Polícia Federal (PF). O documento em questão traz menções que envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A divulgação e a retirada do sigilo do relatório investigativo ocorreram em uma terça-feira, trazendo a público elementos colhidos durante as diligências da Operação Compliance Zero. Esta investigação conduzida pelas autoridades policiais tem como foco principal a apuração de supostas fraudes financeiras e irregularidades atribuídas ao Banco Master, tendo como um dos principais alvos o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com os apontamentos apresentados pela Polícia Federal, os nomes de Alexandre de Moraes e Paulo Gonet apareceram em registros obtidos após a quebra do sigilo telemático e telefônico do aparelho celular apreendido com Daniel Vorcaro. Os investigadores detalham que o ex-banqueiro teria mantido interações diretas por meio de aplicativos de mensagens com um contato salvo sob o nome do magistrado da mais alta corte do país.

No entanto, a recuperação integral do conteúdo dessas conversas enfrentou obstáculos técnicos e operacionais. Os agentes identificaram que boa parte dos diálogos foi apagada ou teve sua visualização restrita porque o contato associado ao ministro utilizava recursos de mensagens de visualização única. Além disso, constatou-se a prática de redigir textos preliminarmente em blocos de notas antes do envio, um mecanismo que dificulta e, em alguns casos, impede o resgate completo dos dados armazenados digitalmente.

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Apesar das barreiras na recuperação do material, os peritos conseguiram restaurar alguns trechos. Em uma das mensagens que passaram pelo processo de recuperação e constam nos autos da investigação, datada de 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro afirma ao interlocutor salvo como Moraes que “estava tentando antecipar os investigadores”.

No que tange à citação de Paulo Gonet, a dinâmica apontada pela Polícia Federal é distinta. O procurador-geral da República não surge conversando diretamente com o investigado, mas sim sendo mencionado por terceiros em diálogos mantidos com o ex-banqueiro. Em uma dessas conversas, datada do ano de 2024, um dos interlocutores identificado como Ciro Soares faz um comentário avaliando a postura de Gonet, afirmando que o chefe do Ministério Público Federal “é firme”.

Citações a dirigentes e figuras públicas

Além dos nomes de magistrados e do procurador-geral, o relatório produzido pela corporação policial também traz registros de menções a outras autoridades da República, a exemplo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos. Conforme o apurado pelos investigadores ao analisarem o material apreendido, o contato direto de Andrei Passos não foi localizado na agenda telefônica de Daniel Vorcaro.

Contudo, o chefe da corporação policial acabou citado no corpo de uma conversa mantida entre o ex-banqueiro e o ex-deputado federal Fábio Faria, em um diálogo datado do mês de abril de 2024. Nos registros recuperados, Fábio Faria questiona Daniel Vorcaro sobre a possibilidade de o ex-banqueiro estender um convite formal para que Andrei Passos participasse de um evento corporativo a ser realizado na cidade de Londres, na Inglaterra.

A investigação aponta que, na sequência das tratativas mencionadas no diálogo entre o ex-deputado e o ex-banqueiro, uma secretária vinculada ao gabinete do diretor-geral da Polícia Federal manteve contato direto com a equipe responsável pela organização do evento internacional. O objetivo do contato era alinhar os detalhes logísticos e acertar as tratativas referentes à viagem institucional.

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Com a decisão proferida pelo ministro André Mendonça, o processo seguirá agora para a análise técnica da Procuradoria-Geral da República, que deverá avaliar o teor das informações reunidas pela Polícia Federal e decidir quais providências cabíveis devem ser adotadas no âmbito das atribuições do órgão ministerial.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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