Forças de segurança do Marrocos interceptaram dezenas de migrantes no norte do país, nas proximidades da fronteira com o enclave espanhol de Ceuta. A operação ocorre poucas semanas após uma entrada em massa de milhares de pessoas na mesma região de fronteira, mobilizando forte aparato policial e medidas rigorosas de contenção por parte das autoridades locais.
De acordo Desse montante, 46 seriam cidadãos marroquinos, enquanto os demais provêm de países da África Subsaariana que buscam alcançar o território europeu.
Uma autoridade ouvida por agências de notícias, que preferiu manter o anonimato, classificou a ação como uma intervenção de rotina voltada para coibir tentativas de migração irregular em direção a Ceuta. Durante os meses mais quentes do ano, as florestas que circundam as cidades fronteiriças com os enclaves de Ceuta e Melilla — este último situado mais a leste — costumam abrigar migrantes subsaarianos que aguardam o momento oportuno para tentar a travessia.
Esforços de segurança e combate à desinformação
A mobilização atual faz parte de um conjunto ampliado de diretrizes de segurança adotadas pelo governo marroquino. Na quarta-feira anterior, as autoridades já haviam sinalizado a implementação de barreiras e estratégias para conter eventuais fluxos migratórios em massa, impulsionados principalmente por boatos e campanhas de desinformação disseminadas no ambiente digital que sugeriam uma suposta abertura das fronteiras.
Como desdobramento dessas investigações, os portais locais Le360 e Hespress relataram a prisão de mais de 60 indivíduos apontados como responsáveis por incitar ou promover a migração ilegal através de publicações nas redes sociais.
Imagens circuladas na internet registraram a forte presença policial no lado marroquino da divisa, incluindo efetivos equipados com trajes de choque, canhões de jato de água, veículos de resgate e aparatos para o lançamento de gás lacrimogêneo e dispositivos de efeito moral.
Segundo relatos de um diplomata marroquino de alto escalão à Associated Press, o governo do país mantém cotidianamente um contingente superior a 20 mil agentes de segurança patrulhando a fronteira com Ceuta, gerando um custo operacional estimado em centenas de milhões de dólares.
Histórico recente de tensões e impacto humanitário
A região enfrenta episódios de alta tensão desde o evento ocorrido há duas semanas, quando cerca de 72 mil pessoas — a imensa maioria de nacionalidade marroquina — ingressaram em Ceuta, cidade que abriga uma população de 84 mil habitantes. Embora a maior parte desse contingente tenha retornado voluntariamente ao território marroquino nos dias seguintes, a situação gerou uma crise humanitária de grandes proporções.
Dados oficiais apontam para a recuperação dos corpos de 11 pessoas que perderam a vida em meio ao tumulto das travessias, ao passo que o governo da Espanha contabilizou pelo menos 80 óbitos. Por outro lado, organizações não governamentais, como a Associação Marroquina de Direitos Humanos, divergem dos dados oficiais e estimam que o número de fatalidades possa alcançar pelo menos 141 vítimas.
Fonte:: estadao.com.br


