
A Polícia Penal do Paraná (PPPR) promoveu, na última semana, um mutirão de saúde voltado para pessoas privadas de liberdade na Penitenciária Central do Estado – Unidade de Segurança (PCE-US), situada no Complexo Penitenciário de Piraquara. A ação visou proporcionar assistência integral à saúde no sistema prisional, integrando esforços institucionais para garantir melhores condições de vida aos detentos.
“Entendemos que a missão da Polícia Penal vai além da custódia; fundamenta-se na dignidade e na oferta de condições reais para que a pessoa possa retomar a vida em sociedade. Esta ação multidisciplinar é um exemplo prático desse compromisso”, afirmou a diretora de Tratamento Penal da PPPR, Marilu Katia da Costa.
Os atendimentos foram realizados por equipes de saúde da própria PPPR, com o apoio de profissionais e acadêmicos da Faculdade de Pinhais e da Faculdade Positivo. Durante a semana, foram contabilizados cerca de 200 atendimentos médicos, aproximadamente 500 testes rápidos para detectar HIV, sífilis, hepatites virais e tuberculose, além de 30 atendimentos odontológicos, 90 psicológicos e 40 religiosos.
Marilu destacou que, ao proporcionar um cuidado completo aos custodiados — que inicia na triagem de enfermagem e avança para consultas clínicas e odontológicas, bem como realização de testes rápidos — é garantido o direito fundamental à saúde, o que contribui para a prevenção de problemas dentro do sistema. “O atendimento psicológico, somado à presença essencial de dois capelães, possibilitou algo raro e valioso no ambiente prisional: a escuta qualificada. Ao criar um espaço seguro para fala e reflexão, oferecemos aos apenados o suporte emocional que é crucial para seu processo de reintegração social”, explicou.
Frente aos resultados positivos, a diretora ressaltou a importância de se dar continuidade a iniciativas como essa. “Sabemos que uma pessoa com saúde e equilíbrio emocional tem um potencial muito maior para se reintegrar aos projetos de trabalho e educativos. Esta ação foi um sucesso indiscutível. Nosso esforço institucional agora será direcionado para que esse modelo de atendimento se torne uma prática habitual nas nossas operações”, afirmou Marilu.
A atuação conjunta das equipes de saúde possibilitou atender a uma ampla variedade de demandas clínicas, desde casos simples até os de maior complexidade. Ao longo dos dias, foram realizados atendimentos relacionados a diversas patologias, com os necessários encaminhamentos a especialistas e a solicitação de exames de rotina, como imagens, eletrocardiograma, raio-X de tórax e análises laboratoriais.
O diretor clínico do Complexo Médico Penal, Francisco Santos, detalhou o processo de atendimento. “O trabalho realizado na PCE-US funcionou como em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde realizamos a triagem, o atendimento inicial, solicitamos exames e encaminhamos para especialistas. Casos como pneumonia, rinite e atendimentos ambulatoriais, por exemplo, foram tratados na própria unidade prisional, evitando a necessidade de encaminhamentos para unidades externas de saúde”, disse.
Nos casos que exigiram atendimentos externos, foram feitos os encaminhamentos após as etapas de cuidados básicos dentro da unidade penal. Algumas pessoas privadas de liberdade receberam assistência hospitalar de nível terciário, sendo direcionadas a hospitais para as consultas de especialidades como reumatologia, cirurgia geral e endocrinologia, conforme a disponibilidade de vagas nas instituições. Aqueles que demandaram procedimentos cirúrgicos tiveram que retornar aos mesmos hospitais para acompanhamento e avaliações no pós-operatório.
O diretor da PCE-US, Olival Monteiro, também enfatizou os avanços obtidos com a ação. “As atividades realizadas foram cruciais, abrangendo atendimentos médicos, odontológicos, oftalmológicos, entre outros. Essas ações asseguram a assistência necessária e a manutenção da saúde no contexto prisional”, destacou.
A iniciativa foi reconhecida pelos próprios custodiados. Um dos participantes relatou a importância da ação para a população carcerária: “Para todos nós, é muito bom participar de um mutirão de saúde como este. É uma ação que nos faz sentir humanos e valorizados. Podemos cuidar da nossa saúde sabendo que a sociedade está prestando atenção em nós, que estamos em busca de reintegração social e retorno para nossas famílias”, concluiu.
Fonte:: seguranca.pr.gov.br


