Boulos critica compensação a empresas pelo fim da escala 6×1

Marcelo Borges
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Foto: © Lula Marques/Agência Brasil.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, expressou, nesta quarta-feira (13), sua desaprovação à proposta de compensação econômica para as empresas que resultaria na aprovação do fim da escala 6×1, que determina que o trabalhador atue por seis dias seguidos, seguidos por um único dia de descanso. Durante sua participação em uma audiência pública da comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa a eliminação dessa escala e a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, Boulos levantou questões sobre a validade de tais compensações.

Durante o encontro, Boulos comentou que o debate sobre compensações não é razoável. Ele questionou por que deveria haver compensação para os empregadores quando, historicamente, a proposta de aumento do salário mínimo no Brasil nunca trouxe esse tipo de contrapartida. Ele relembrou que, segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o impacto econômico da redução da jornada semanal é similar ao daquele aumento, e, portanto, a ideia de compensação se mostraria incoerente.

“Se o trabalhador reduz a jornada e ganha dois dias para descansar, algo que é humano e que deveria ser uma causa defendida por todas as forças políticas do país, porque ele deve arcar, com seus impostos, com um financiamento a uma compensação para as empresas? Isso não faz sentido”, afirmou Boulos durante o debate.

A audiência também recebeu o vereador Rick Azevedo, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Azevedo compartilhou suas experiências de trabalho em diversos setores, sempre sob a escala 6×1, e destacou a desumanização que essa jornada impõe aos trabalhadores. “Vivemos em um sistema que desconsidera a dignidade humana. Como pode um pai ou mãe de família, ou um jovem, levar uma vida digna com essa carga de trabalho?”, questionou, ampliando o olhar sobre os problemas que trabalhadores enfrentam diariamente.

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“Por anos, eu não me senti parte da sociedade, não me senti capaz”, complementou Azevedo, reconhecido por seu ativismo em prol da mudança nas condições de trabalho no Brasil.

O vereador também criticou a possibilidade de compensações para os empresários e a implementação de um período de transição para o fim da escala 6×1, argumentando que a mudança é de extrema urgência. “A escala 6×1 existe desde a criação da CLT, e a sociedade já discute essa pauta desde 2023. Seu fim é uma necessidade imediata”, afirmou.

Após discussões entre membros do governo Lula e lideranças da Câmara dos Deputados, foi acordado que a PEC a ser apresentada irá propor uma alteração constitucional para assegurar o direito ao descanso remunerado de dois dias por semana, por meio da implementação da escala 5×2, além da redução da carga horária semanal para 40 horas.

Além da PEC, foi decidido que o projeto de lei (PL) relacionado à pauta será tratado com urgência constitucional, visando acelerar sua tramitação. Esse PL abrangerá temas específicos de algumas categorias e servirá para ajustar a legislação vigente à nova constitucionalidade proposta pela PEC.

Em suma, resta decidir a respeito de eventuais compensações aos empresários e se haverá a necessidade de um período de transição. O deputado federal Alencar Santana, presidente da comissão especial da PEC, destacou que esses pontos ainda precisam ser definidos, mas a tendência é que as mudanças avancem rapidamente, dadas as condições atuais do mercado de trabalho no Brasil.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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