BC: guerra no Irã pode ter materializado riscos para inflação, destaca ata do Copom

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Sede do Banco Central, em Brasília 22/03/2022 (...

O Banco Central do Brasil (BC) identificou que a continuidade do conflito no Oriente Médio pode gerar efeitos prolongados na economia global e, consequentemente, trazer riscos inflacionários para o país. Essa análise foi divulgada nesta terça-feira na ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Segundo o documento, o Comitê discutiu detalhadamente mudanças no balanço de riscos relacionados à inflação. Contudo, a instituição optou por manter o mesmo número de riscos alinhados às pressões inflacionárias, tanto para o aumento quanto para a diminuição, com apenas pequenos ajustes nas suas considerações anteriores.

O BC ressaltou que os “eventos recentes não impedirão a continuidade” do ciclo de ajustes na taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. Na semana passada, o Banco Central decidiu reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,50% ao ano. A autoridade monetária mencionou a necessidade de considerar novas informações antes de tomar decisões sobre a taxa de juros no futuro, avaliando a possibilidade de ajustes em sua estratégia.

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Os índices futuros nos Estados Unidos mostraram elevações, refletindo a atenção voltada para a situação no Oriente Médio.

A ata do Copom destacou que, a partir do início da guerra, alguns riscos inflacionários parecem ter se materializado, com ênfase na desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, especialmente para o ano de 2028.

“Nesse cenário, o Comitê reafirma seu compromisso em combater os efeitos de segunda ordem decorrentes do choque na oferta de petróleo e seus derivados, além de manter a serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em um contexto de alta incerteza,” foi um dos pontos elencados no documento.

O Banco Central também observou que as mais recentes divulgações sobre a inflação ao consumidor e ao produtor indicaram “sinais claros” dos impactos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, apresentando números que superaram as expectativas iniciais em muitos casos.

Além disso, o documento afirmou que uma inflação impulsionada pela demanda demanda uma política monetária mais restritiva. Na perspectiva do BC, a atual política de juros tem desempenhado um papel crucial na desinflação observada no país, contribuindo também para a desaceleração do crédito.

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O Banco Central se mantém atento à evolução do cenário econômico global, considerando a volatilidade provocada por eventos internacionais e suas implicações para a economia brasileira.

Fonte: infomoney.com.br

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