O Rio de Janeiro traçou uma estratégia ambiciosa para se consolidar como um dos principais polos globais de infraestrutura digital e desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial. O plano foi detalhado durante o lançamento oficial do AI Cities Summit, um importante evento internacional voltado para discussões sobre cidades inteligentes e infraestrutura digital, cuja realização na capital fluminense está programada para o ano de 2027.
Representando o prefeito Eduardo Cavaliere, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, participou ativamente do painel intitulado “Funding the Future – The economic multiplier of AI & Digital Infrastructure in national & regional economies”. O debate concentrou-se nos impactos econômicos diretos e indiretos gerados por aportes financeiros robustos em inteligência artificial e infraestrutura digital, tanto em âmbito nacional quanto regional.
De acordo com o secretário municipal, o Rio de Janeiro ingressou recentemente em uma disputa acirrada no cenário internacional, na qual metrópoles de diversos países buscam desesperadamente atrair capitais e consolidar ecossistemas voltados à tecnologia de ponta. Para Osmar Lima, o momento histórico atual representa uma janela de oportunidade ímpar tanto para a capital quanto para o Brasil como um todo.
“O Rio não estava jogando esse jogo há dois anos. Agora não estamos apenas no jogo, mas temos a oportunidade de viver esse jogo”, declarou o secretário durante sua participação no evento. Na avaliação dele, a consolidação bem-sucedida desse ecossistema tecnológico depende fundamentalmente da sinergia e integração contínua entre o setor empresarial, as universidades, o meio acadêmico, os fundos de investimentos e a administração pública.
Vantagens competitivas e matriz energética
Durante o painel, o representante da prefeitura pontuou diversos diferenciais competitivos que podem colocar o Rio de Janeiro em uma posição de destaque na corrida global pela atração de investimentos voltados à instalação de data centers e infraestrutura digital avançada. Entre os fatores listados estão a ampla oferta de energia limpa, a disponibilidade de terrenos adequados, um mercado consumidor expressivo, a presença de mão de obra altamente qualificada e a sólida rede de universidades e instituições de pesquisa presentes na região.
Contudo, Osmar Lima fez questão de ressaltar que os benefícios econômicos e sociais transcendem a simples implantação de estruturas físicas. “Não estamos falando apenas de construir uma infraestrutura física. Estamos falando de uma infraestrutura que pode ter impacto multiplicador em todas as indústrias”, pontuou o secretário, destacando o potencial transformador da tecnologia sobre os mais variados setores produtivos tradicionais.
Para viabilizar empreendimentos de grande porte na área digital, o secretário defendeu a utilização de parcerias público-privadas (PPPs) como um mecanismo financeiro essencial. Segundo a análise apresentada, projetos voltados para a construção de data centers demandam aportes iniciais massivos, tornando indispensável a participação ativa do capital privado, enquanto cabe ao poder público atuar na facilitação por meio de incentivos, aprimoramento legislativo, planejamento estratégico e segurança jurídica.
Ademais, iniciativas voltadas à educação, como supercomputadores e centros públicos de processamento de dados, podem contar com a atuação direta do setor governamental. Outro ponto nevrálgico destacado foi a matriz energética brasileira, considerada uma vantagem comparativa formidável na atração de capitais internacionais. Para o secretário, o país precisa capitalizar sua vocação para a geração de energia limpa, agregando valor expressivo à economia nacional por meio de atividades industriais e tecnológicas de alta intensidade.
Urgência regulatória e o fator tempo
Apesar das vantagens geográficas e estruturais, o sucesso dessa estratégia está diretamente atrelado à velocidade com que o país conseguirá implementar marcos regulatórios modernos e competitivos. “Precisamos ser rápidos. A regulação é o ponto principal agora”, alertou Osmar Lima durante o evento preparatório para o encontro internacional de 2027.
Na visão da pasta de Desenvolvimento Econômico, o biênio que se inicia será absolutamente decisivo para definir o posicionamento estratégico do Brasil na cadeia global de valor, sendo fundamental para atrair os primeiros grandes aportes capazes de gerar um efeito cascata, estimulando a chegada de novas empresas, fornecedores e talentos.
Por fim, a meta da administração municipal é ir além da mera atração de centros de armazenamento de dados. O objetivo central é transformar o Rio de Janeiro em um celeiro vibrante para o surgimento de novas empresas e soluções tecnológicas, conectando a infraestrutura digital de ponta com os pilares fundamentais da economia local. “A expectativa é transformar a cidade não apenas em destino para data centers, mas também em um centro de desenvolvimento e exportação de soluções de inteligência artificial”, concluiu o secretário.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


