Tribunal superior eleitoral manda retirar publicações contra senador flávio bolsonaro

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, atuando respectivamente como presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ordenaram a retirada imediata de conteúdos veiculados na internet que abordam propostas associadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no contexto da corrida presidencial.

Nunes Marques determinou que seja cumprido o prazo de 24 horas para a exclusão de um material audiovisual divulgado nas contas oficiais da primeira-dama Janja Lula da Silva nas redes sociais. A publicação em questão apontava que o parlamentar teria planos para implementar uma jornada de trabalho de sete dias semanais e extinguir iniciativas de assistência social, a exemplo do programa Farmácia Popular.

Em paralelo, André Mendonça estabeleceu um prazo ainda mais restrito, de apenas três horas, para que a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, postulante à reeleição, removesse uma peça de propaganda eleitoral. O conteúdo veiculado alertava a população sobre eventuais cortes drásticos em políticas públicas e programas de transferência de renda caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) saísse vitorioso no pleito. A mensagem central da campanha questionada utilizava o mote de que a vitória do adversário representaria perdas diretas para a população.

A gravação disseminada nos perfis do presidente Lula da Silva enfatizava a intenção declarada de cortes orçamentários, argumentando que tais medidas impactariam negativamente recursos destinados a iniciativas fundamentais. Entre os programas citados no material contestado estavam o programa Pé-de-Meia, o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida, além de verbas voltadas para a merenda escolar e o subsídio do gás de cozinha.

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Adicionalmente, a propaganda apontava que a gestão concorrente deixaria de conceder reajustes reais acima da inflação tanto para os trabalhadores ativos quanto para os aposentados e pensionistas que recebem o salário mínimo, gerando debates acalorados entre as equipes jurídicas das campanhas envolvidas.

Limites da liberdade de expressão e debate político

Ao fundamentarem suas decisões, os magistrados do Tribunal Superior Eleitoral ponderaram sobre o delicado equilíbrio entre a garantia constitucional da liberdade de expressão e a necessidade de coibir a propagação de informações consideradas descontextualizadas ou inverídicas no período eleitoral.

Ambos os ministros reconheceram que parcelas do conteúdo dos vídeos encontram guarida na liberdade de crítica política, inerente ao processo democrático e às disputas eleitorais. Contudo, argumentaram que a formulação de afirmações taxativas sobre cortes em programas sociais específicos carece de respaldo factual adequado, não encontrando sustentação mínima nem no plano de governo oficial do candidato Flávio Bolsonaro, nem em manifestações públicas prévias do próprio político.

Para o ministro André Mendonça, a atuação da Justiça Eleitoral torna-se imperativa quando a propaganda política ultrapassa o limite da crítica legítima e passa a imputar ao oponente propostas específicas que não possuem qualquer base nos elementos objetivos apresentados na campanha ou em documentos oficiais registrados.

O magistrado fez questão de ressaltar que a proposta de governo formalizada por Flávio Bolsonaro contempla explicitamente a preservação e a manutenção das principais redes de proteção e programas de cunho social em andamento no país.

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As determinações expedidas por meio de decisões monocráticas, ou seja, proferidas de forma individual por cada um dos ministros, ainda deverão ser submetidas à análise colegiada e votação definitiva pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral, onde os demais membros da corte avaliarão a manutenção ou a revisão das medidas cautelares aplicadas.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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