Desgaste de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro foi previsto pelo PL

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Cnnbrasil.com.br

A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL) para compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato a vice-presidente gerou repercussão imediata e uma agenda desfavorável ao partido. No entanto, o desgaste político decorrente dessa composição já havia sido antecipado e integrado aos cálculos estratégicos da legenda durante o planejamento da campanha eleitoral.

A avaliação foi pontuada por Leandro Gabiati, cientista político e diretor da consultoria Dominium, em participação recente no programa WW. De acordo com o analista, a cúpula do Partido Liberal tinha plena ciência de que a indicação provocaria turbulências iniciais no cenário público.

“Eu entendo que o PL, na hora da escolha do Gaspar, já tinha dentro do cálculo esse possível desgaste inicial durante a campanha”, declarou o especialista ao contextualizar os desdobramentos da aliança firmada para o pleito.

Acusações políticas dominam o debate em torno da chapa

Gabiati chamou a atenção para o fato de que a nomeação de Gaspar acabou ganhando o centro das atenções não por causa de sua trajetória legislativa — período em que atuou como relator da CPMI do INSS —, mas sim em função de questionamentos e acusações levantadas por parlamentares governistas.

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O cientista político também pontuou que houve uma movimentação jurídica com um pedido de aceleração do processo em 72 horas, estratégia adotada pela defesa na tentativa de solucionar o impasse com maior rapidez. Apesar disso, o especialista ponderou que, em uma corrida eleitoral curta de 60 dias, o prazo concedido pelo ministro Gilmar Mendes para que o deputado Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke apresentem esclarecimentos sobre declarações de abril representa um intervalo considerável.

“Até que esse processo avance, de fato, a chapa, o PL, o Flávio, terá que administrar uma agenda negativa”, complementou Gabiati.

Complexidade do tema impõe desafios adicionais à campanha

A âncora e analista de Economia da CNN, Thais Herédia, avaliou que o teor das acusações confere um grau ainda maior de sensibilidade ao caso. Segundo ela, o debate público em torno do assunto exige cautela redobrada, sobretudo devido à natureza do processo e ao perfil da suposta vítima envolvida.

O episódio ganha maior repercussão em um cenário social marcado pelo crescimento dos registros de feminicídio e pela discussão em torno da ampliação da representatividade feminina na política nacional.

“Esse é o tipo de acusação que, claro, os fatos vão precisar ser esclarecidos”, ponderou Herédia, ressaltando a necessidade de “bastante cuidado, inclusive pela suposta vítima”.

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Estratégia econômica busca equilibrar o foco da campanha

Como tentativa de mitigar os impactos da crise e preencher lacunas em debates de cunho econômico, a campanha de Flávio Bolsonaro tem apostado na projeção de Daniela Marques como porta-voz para temas fiscais e orçamentários. A executiva, que integrou a equipe ministerial durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem concedido entrevistas e detalhado diretrizes voltadas às contas públicas.

Apesar do esforço da coordenação de campanha para diversificar o debate programático, o desgaste decorrente das contestações em torno de Alfredo Gaspar permanece como um dos principais obstáculos a ser administrado pelo PL ao longo da disputa eleitoral.

Fonte:: cnnbrasil.com.br

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