Discurso de Javier Milei no Brasil gera fortes reações de autoridades federais

Marcelo Borges
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Presidente argentino foi criticado pelo preside...

Presidente argentino foi criticado por lideranças políticas e pelo Supremo Tribunal Federal após pronunciamento em evento político. (Foto: Divulgação/PL)

O presidente da Argentina, Javier Milei, protagonizou declarações duras contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As manifestações ocorreram durante a participação do mandatário argentino no evento de lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, realizado neste sábado (25).

Durante seu pronunciamento no palanque político, o líder sul-americano criticou fortemente a condução econômica do atual governo brasileiro, associando-a à gestão de ex-presidentes de seu próprio país, como Cristina Kirchner e Alberto Fernández, e imputando a supostas políticas socialistas o avanço da pobreza na região.

“Vivenciamos as consequências de trilhar o caminho do socialismo até suas últimas consequências e vimos como nossa nação deixou de ser uma potência mundial e foi mergulhada na pobreza pelos esquerdistas de merda”, declarou o presidente argentino perante os apoiadores presentes no evento.

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Na sequência das críticas direcionadas ao cenário político nacional, Milei também abordou a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por envolvimento em uma articulação golpista relacionada ao pleito presidencial de 2022. O chefe de Estado da Argentina colocou em dúvida a lisura do processo judicial e culpou diretamente o atual governo brasileiro pela detenção do aliado político.

“Isso nada mais é do que uma clara demonstração da injustiça de sua prisão e de sua natureza claramente vingativa”, pontuou Milei, acrescentando insatisfação por impedimentos logísticos e judiciais para realizar visitas ao ex-mandatário brasileiro no estabelecimento prisional.

As restrições de visitas foram atribuídas nominalmente ao ministro da Suprema Corte brasileira. “Para piorar a situação, aquele verme calculista e careca não me deixou visitar meu amigo injustamente preso. Sei que Lula recebia constantemente líderes estrangeiros enquanto estava na cadeia, incluindo o nefasto ex-presidente argentino, Alberto Fernández”, completou.

Repercussão institucional e respostas oficiais

Fachin condenou fala de Milei sobre MoraesPresidente do STF classificou as declarações como incompatíveis com a civilidade entre Estados. (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

A manifestação do líder argentino desencadeou forte reação imediata de representantes dos poderes constituídos e de siglas partidárias no Brasil. O presidente em exercício da Suprema Corte, Edson Fachin, emitiu uma nota oficial repudiando o teor das declarações desferidas contra a magistratura nacional em solo brasileiro.

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Para o magistrado, o pronunciamento violou preceitos diplomáticos fundamentais. “Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, destacou o documento assinado por Fachin.

No âmbito partidário, o presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, também utilizou espaço oficial para rechaçar a postura do mandatário estrangeiro, classificando a conduta como inadequada para o exercício diplomático do cargo executivo que ocupa na Casa Rosada.

“O Brasil é um país democrático e soberano. Nossa democracia admite o debate de ideias em que posições contraditórias podem e devem alimentar discussões sobre o futuro do país, sobretudo em contexto de disputa eleitoral como a que vivemos. Nenhuma autoridade pública no Brasil está acima de críticas, sempre e quando feitas de forma e no momento adequados. É inadmissível, contudo, que um chefe de Estado estrangeiro venha ao nosso país e se dirija em termos desrespeitosos aos seus poderes constituídos”, argumentou o dirigente partidário.

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O representante da legenda governista ainda pontuou que o episódio reforça um histórico de declarações controversas do chefe de Estado argentino em missões internacionais. “Não surpreende que o atual presidente da Argentina se comporte desta maneira. Afinal não são poucas as situações recentes em que ele demonstrou não estar à altura do cargo que ocupa. O atual ocupante da Casa Rosada teria usado melhor o seu tempo e os recursos dos contribuintes argentinos se tivesse aproveitado o dia de hoje para trabalhar e resolver os problemas do seu país. Lamentamos pela Argentina, país amigo do Brasil e que tem um povo excepcional”, concluiu Silva.

Fonte:: ric.com.br

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