O enviado especial dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, tem agenda marcada nesta segunda-feira, 17, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O encontro ocorre logo após conversas conduzidas no Egito com representantes do Hamas, focadas na implementação do plano de paz para a Faixa de Gaza.
A participação de Kushner faz parte dos esforços contínuos da diplomacia de Washington para tentar diminuir as divergências persistentes entre o governo israelense e o movimento palestino no que diz respeito à segunda fase do acordo de paz.
No final do mês de julho, o Hamas deu sinal verde a um roteiro proposto pelos Estados Unidos que estabelece o desarmamento progressivo da facção e a retirada definitiva das tropas israelenses do território de Gaza. Contudo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitou os termos apresentados, exigindo o que classificou como um desarmamento rigoroso e efetivo do grupo.
Durante as tratativas realizadas no domingo, 16, no território egípcio, Jared Kushner reuniu-se com integrantes da delegação do Hamas. De acordo
Em contrapartida, o representante americano enfatizou a necessidade de um desarmamento completo do grupo islâmico e reiterou a exigência de que a organização seja totalmente excluída de qualquer futura participação na administração de Faixa de Gaza. Kushner também cobrou comprovações verificáveis de que o arsenal bélico foi entregue, além de garantias sólidas de que a região não voltará a representar qualquer tipo de ameaça à segurança de Israel.
O Hamas, que controla administrativamente o enclave palestino desde o ano de 2007, anunciou em julho a dissolução de sua estrutura civil de governo, informando que pretende transferir todas as responsabilidades operacionais para o Comitê Nacional para a Administração de Faixa de Gaza. O órgão, composto por tecnocratas palestinos, foi estruturado pelo chamado Conselho da Paz com o objetivo de conduzir o período de transição política no território.
Em nota oficial divulgada no domingo, o grupo palestino declarou que formalizou um pedido ao conselho para que exerça pressão sobre Israel, visando a aceitação dos termos estabelecidos no acordo de cessar-fogo.
Antes de sentar-se à mesa com os representantes palestinos, o enviado da administração de Donald Trump manteve reuniões com mediadores internacionais do Egito, do Catar e da Turquia. Ele também conversou com Nickolay Mladenov, alto representante do Conselho da Paz para Faixa de Gaza, e com o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi. Paralelamente, o chefe político do Hamas, Jalil al-Haya, realizou uma reunião em separado com o diretor dos serviços de inteligência do Egito, Hasan Rashad.
Israel mantém operações militares no enclave
Historicamente, a diplomacia norte-americana adotou uma postura de evitar qualquer tipo de contato direto com o Hamas, organização considerada terrorista pelo governo dos Estados Unidos. O grupo liderou a ofensiva deflagrada em 7 de outubro de 2023 contra o território israelense, evento que acabou por desencadear o conflito de grandes proporções na Faixa de Gaza.
No entanto, a atual gestão liderada por Donald Trump modificou essa diretriz ao aceitar conversas diretas com o movimento, na tentativa de viabilizar uma solução definitiva para a crise. Washington teve papel ativo na mediação do cessar-fogo alcançado em outubro de 2025, acordo que possibilitou a libertação dos reféns israelenses que ainda se encontravam cativos.
Em um comunicado conjunto assinado recentemente, oito nações de maioria muçulmana — incluindo Egito, Catar e Turquia — manifestaram forte condenação à recusa de Israel em aceitar o plano redigido pelos americanos. De acordo com os governos signatários, a postura do Estado israelense compromete seriamente as perspectivas de se alcançar uma paz duradoura e justa na região.
Atualmente, tanto o governo israelense quanto o Hamas trocam acusações mútuas sobre supostas violações ao cessar-fogo que sucedeu dois anos de intensos combates. As forças armadas de Israel voltaram a realizar ataques aéreos em território palestino. Relatos da Defesa Civil de Gaza indicam que várias pessoas ficaram feridas após um bombardeio atingir uma residência situada a oeste de Nuseirat.
O comando militar israelense justificou a ação informando que os disparos responderam a uma ameaça iminente identificada por combatentes da Jihad Islâmica. Além disso, tropas terrestres e aéreas de Israel efetuaram disparos nas proximidades de tendas que abrigavam pessoas deslocadas a oeste de Khan Yunis, na zona sul de Gaza, resultando em novos feridos.
Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde de Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, aponta que pelo menos 1.262 palestinos perderam a vida em decorrência de operações militares israelenses desde a efetivação do cessar-fogo, em 10 de outubro. Os registros fornecidos pela pasta local possuem chancelas de confiabilidade reconhecidas pelas Nações Unidas. Do lado israelense, as Forças Armadas contabilizaram cinco baixas fatais entre seus efetivos militares no mesmo intervalo de tempo.
Fonte:: estadao.com.br


