PMI: Setor privado da zona do euro recua em maio devido à inflação causada pela guerra

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Bandeiras da UE em frente à sede do Banco Centr...

LONDRES, 3 de junho (Reuters) – A atividade do setor privado na zona do euro enfrentou uma contração acentuada em maio, a mais rápida registrada em 18 meses. Essa desaceleração foi impulsionada pela diminuição da demanda por bens e serviços, resultando em uma queda na produção pelo segundo mês consecutivo. Paralelamente, as pressões sobre os custos atingiram os níveis mais elevados em mais de três anos, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) Composto da S&P Global para a zona do euro caiu de 48,8 em abril para 48,5 em maio, registrando a menor leitura desde novembro de 2024, ainda que tenha superado a expectativa inicial de 47,5. No setor de serviços, o indicador apresentou leve alta, passando de 47,6 para 47,7, também acima da projeção preliminar de 46,4.

Vale ressaltar que uma leitura abaixo de 50,0 indica uma contração, o que ressalta a crescente preocupação com a atividade econômica na região. Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global Market Intelligence, comentou: “Com a atividade empresarial na zona do euro em declínio pelo segundo mês consecutivo em maio, a probabilidade de uma contração econômica no segundo trimestre parece cada vez mais real. Os dados do PMI sinalizam um declínio trimestral de 0,2% no PIB, a menos que ocorram mudanças significativas em junho.”

Inflação e expectativas de crescimento

Um tópico associado à situação econômica é a recente trajetória da inflação. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que um conflito prolongado poderia impactar negativamente o crescimento global e acarretar um aumento da inflação. A recuperação da produção de petróleo e gás no Golfo Pérsico poderá acontecer de forma gradual se a guerra for de curta duração, o que poderia aliviar parte da pressão inflacionária.

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De acordo com os dados coletados, o número de novos pedidos caiu pelo terceiro mês seguido, exibindo o segundo ritmo mais acentuado de declínio desde novembro de 2024. A demanda externa, em particular, tem sido um fator prejudicial, com pedidos de exportação caindo na maior velocidade observada até agora neste ano.

A deterioração dos índices de atividade concentrou-se nas duas maiores economias da zona do euro, Alemanha e França, ambas enfrentando contrações em seus setores privados. Por outro lado, Itália e Espanha mostraram pequenas expansões, embora aquém do ideal.

Os custos de insumos aumentaram de forma acentuada, com a taxa mais elevada registrada em três anos e meio. Além disso, os preços cobrados aos clientes atingiram seu pico em 38 meses, marcando o terceiro mês consecutivo de aceleração na inflação dos preços de produção.

Esse cenário econômico é ainda mais alarmante considerando que a inflação em maio saltou para 3,2% na comparação anual, conforme revelado em dados comunicados na terça-feira. Esse índice está bem acima da meta de 2% definida pelo Banco Central Europeu e prevê-se que novos aumentos ocorram em função da escalada nos preços dos combustíveis devido aos conflitos no Oriente Médio.

O quadro atual reflete os desafios enfrentados pelo setor privado da zona do euro, enquanto os economistas e autoridades monitoram de perto os desdobramentos da situação geopolítica, visando compreender suas implicações econômicas a curto e médio prazos.

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Fonte: infomoney.com.br

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