Prazo para consulta pública sobre educação bilíngue de surdos encerra neste sábado

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © José Cruz/Agência Brasil

Professores da rede pública, gestores educacionais, profissionais da área de ensino e cidadãos têm até este sábado (25) para participar da consulta pública nacional voltada à educação bilíngue de surdos no Brasil. A iniciativa discute a consolidação dessa modalidade de ensino como parte integrante da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Para enviar contribuições e sugestões, os interessados devem utilizar a plataforma Brasil Participativo, realizando o acesso com as credenciais unificadas do portal governamental Gov.br.

O edital que formalizou o chamamento foi divulgado oficialmente pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) no final do mês de junho.

As propostas recolhidas durante o período de consulta servirão de base para a formulação das futuras Diretrizes Nacionais da Modalidade Escolar de Educação Bilíngue de Surdos na Educação Básica. O intuito principal é blindar e assegurar os direitos culturais, linguísticos e educacionais dos estudantes atendidos, grupo que engloba pessoas surdas, surdocegas, com deficiência auditiva sinalizante, além de alunos surdos que apresentem altas habilidades, superdotação ou outras deficiências associadas.

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Dessa forma, as diretrizes inéditas passarão a compor a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS), instrumento criado com o foco em fomentar a equidade, respeitar as singularidades dos estudantes e assegurar o acesso a um processo de ensino e aprendizagem com padrões elevados de qualidade.

Diretrizes e estruturação pedagógica

No cenário educacional brasileiro, as Diretrizes Nacionais para a Educação Bilíngue de Surdos desempenham o papel de um referencial teórico fundamental. O objetivo é orientar as redes de ensino em âmbito nacional sobre os caminhos adequados para estruturar, expandir e manter o modelo bilíngue voltado aos alunos surdos matriculados na Educação Básica.

O texto base estabelece diretrizes rígidas e organizadas em torno de pilares essenciais para o funcionamento do ensino bilíngue:

· A adoção oficial da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como o principal meio de instrução, comunicação e transmissão de conhecimento no ambiente escolar;

· O ensino formal da língua portuguesa, estruturada especificamente em sua modalidade escrita, tratada pedagogicamente como segunda língua;

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· O desenvolvimento e a multiplicação de espaços físicos e virtuais que estimulem e facilitem a interação contínua em Libras;

· A valorização sistemática da identidade, das manifestações culturais e do uso cotidiano da Libras por toda a comunidade surda;

· O investimento robusto na formação inicial e continuada voltada para professores bilíngues e demais colaboradores do ecossistema escolar;

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· O incentivo à criação e distribuição de materiais didáticos e recursos pedagógicos direcionados e específicos;

· A consolidação e o fortalecimento de escolas bilíngues, salas de aula bilíngues e instituições polo;

· A garantia da participação ativa da comunidade surda em todas as etapas de planejamento, execução e avaliação das políticas públicas da área.

A meta governamental é transformar esses parâmetros em ferramentas práticas e de fácil aplicação no cotidiano das instituições de ensino.

Panorama da comunidade surda e desafios na rede

Dados recentes extraídos do Censo Escolar revelam que o país registra atualmente 61.623 matrículas de estudantes pertencentes a esse público na educação básica.

Apesar da relevância dos números, o cenário estrutural ainda enfrenta gargalos expressivos. Apenas 12% das redes de ensino em todo o território nacional contam com insumos e materiais pedagógicos adaptados para o uso em Libras. No que tange às avaliações aplicadas, as provas em videolibras cobrem somente 1,31% dos alunos. Embora cerca de 51% das escolas possuam Salas de Recursos Multifuncionais, a carência de suporte técnico e apoio bilíngue especializado ainda é uma realidade latente.

Outro indicador que evidencia o desafio estrutural é o quantitativo de docentes capacitados: apenas 2.501 professores possuem, de fato, formação continuada certificada em Educação Bilíngue de Surdos.

Com o propósito de reverter esse cenário, a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS) busca consolidar bases sólidas para aprimorar o atendimento nas redes municipais, estaduais e federais. Saiba mais sobre a política aqui.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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