Procurador-geral da república nega qualquer ligação com ex-banqueiro daniel vorcaro

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Rosinei Coutinho/STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou veementemente nesta terça-feira (15), durante uma sessão plenária no Supremo Tribunal Federal (STF), qualquer tipo de vínculo ou proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que comandava o Banco Master. A declaração ocorre em meio aos desdobramentos de investigações conduzidas pelas autoridades federais que atingem figuras de destaque no cenário jurídico e político do país.

“Não existe nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu, com várias autoridades, em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal”, pontuou Paulo Gonet perante os ministros da Corte Suprema.

A manifestação pública do chefe do Ministério Público Federal aconteceu no contexto de debates e deliberações sobre a eventual abertura de investigações envolvendo também o ministro Alexandre de Moraes, cujo nome foi ventilado em supostas ligações com o ex-banqueiro investigado. O caso mobiliza o plenário do STF em discussões complexas sobre competências e repercussões processuais.

Origem das menções nas investigações da Polícia Federal

O nome de Paulo Gonet passou a circular nos bastidores do inquérito após o avanço da análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Federal. O material foi recuperado diretamente do aparelho celular de Daniel Vorcaro, que figura como o principal investigado no âmbito da Operação Compliance Zero. O ex-banqueiro encontra-se sob custódia policial desde o ano passado, respondendo a acusações graves que envolvem fraudes financeiras e crimes de corrupção.

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Conforme os relatórios detalhados elaborados pelos investigadores da Polícia Federal, as referências a Paulo Gonet surgiram em diálogos mantidos por Vorcaro com terceiros, e não em conversas diretas que teriam ocorrido entre o banqueiro e o procurador-geral da República. Em um dos trechos destacados datado de 2024, um interlocutor identificado nos registros como Ciro Soares comenta com Vorcaro que “Gonet é firme”.

Outro registro que chamou a atenção dos investigadores refere-se a uma mensagem enviada em 15 de novembro de 2025, exatamente dois dias antes da deflagração da prisão preventiva de Vorcaro. Na ocasião, o ex-banqueiro expressava clara apreensão com o avanço das apurações policiais, questionando se haveria possibilidade de “reverter isso com Paulo ou Andrei”. Para a equipe de investigação, as menções nominais diziam respeito a Paulo Gonet, na condição de procurador-geral, e a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. No entanto, os mesmos relatórios destacam que não há evidências concretas de que Gonet tenha sido contatado ou que tenha atuado de alguma forma para tentar obstruir ou interferir no andamento das investigações.

“Eu fico feliz que o ministro André Mendonça afirmou que não tenha nada que foi colhido que pudesse induzir a algum ilícito por parte do procurador-geral da República”, reiterou Gonet durante sua explanação na sessão do STF.

Desenvolvimentos no plenário do Supremo Tribunal Federal

O debate sobre o caso ganhou tração após uma questão de ordem levantada pelo ministro Gilmar Mendes ainda no período da manhã. Mendes solicitou que o plenário passasse a analisar formalmente supostas irregularidades que teriam sido cometidas na condução das apurações originárias.

O andamento processual, contudo, sofreu uma interrupção quando o ministro Flávio Dino apresentou um pedido de vista, paralisando temporariamente a votação. Com isso, a análise do caso não possui uma data definida para ser retomada pela Corte. Antes da interrupção, o placar parcial da votação apontava quatro votos a favor e três contrários.

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Os votos favoráveis ao julgamento conjunto das matérias foram proferidos pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Apesar de ter votado a favor da tramitação conjunta, Flávio Dino solicitou formalmente que seu posicionamento não fosse computado no placar provisório devido ao seu pedido de vista.

Em sentido oposto, votaram pela cisão e pelo julgamento separado dos casos os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça, além do presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin. O tribunal deve aguardar a devolução dos autos para deliberar sobre os próximos passos processuais.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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