A organização Transparência Internacional – Brasil apresentou nesta segunda-feira (19) uma Carta-Compromisso dirigida aos candidatos à Presidência da República. O documento traz um conjunto de propostas concretas voltadas para o fortalecimento da integridade pública, da transparência administrativa e da solidez democrática no país.
A medida foi tomada em reação direta ao contraste observado entre a alta prioridade que os cidadãos brasileiros dão ao combate à corrupção e a evidente carência de projetos estruturados apresentados durante a corrida eleitoral.
Essa lacuna ficou evidente no debate presidencial transmitido no domingo (18) pela emissora Band. Durante um bloco inteiro e ao longo de todo o evento, os candidatos concentraram esforços em trocas de acusações recíprocas, lembrando antigos escândalos e suspeitas do passado. Contudo, nenhuma diretriz prática de prevenção, transparência, fortalecimento de órgãos de controle ou aprimoramento do sistema anticorrupção foi discutida ou detalhada pelos postulantes ao cargo máximo do Executivo.
Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional – Brasil, criticou o tom adotado pelos políticos durante o confronto televisivo. Segundo o dirigente, a sociedade presenciou uma discussão focada em culpados e em ataques políticos, e não em soluções efetivas para os problemas nacionais.
O representante da entidade ressaltou que o combate aos desvios de recursos públicos precisa figurar como uma agenda consistente de governo, e não apenas como retórica de palanque. A publicação da carta busca justamente preencher esse vazio, oferecendo à população parâmetros objetivos para avaliar as promessas e os compromissos reais das diferentes candidaturas diante de um dos maiores entraves ao desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
Levantamentos de opinião realizados ao longo de 2026 demonstram que a corrupção permanece persistentemente no topo das apreensões populares, aparecendo de forma recorrente ao lado da segurança pública entre os problemas mais graves apontados pelos cidadãos nas pesquisas estatísticas.
O documento elaborado pela instituição abrange diversas frentes consideradas cruciais para a governabilidade ética. Entre os pontos centrais estão a ampliação da transparência governamental, a salvaguarda do espaço cívico, a modernização do sistema de justiça, a introdução de critérios mais técnicos e republicanos nas nomeações para tribunais superiores e agências reguladoras, além do combate severo à lavagem de dinheiro.
A pauta da organização também contempla a integridade fiscal, o aprimoramento nos mecanismos de controle sobre as emendas parlamentares e a defesa intransigente das instituições democráticas contra investidas autoritárias ou de enfraquecimento institucional.
Brandão reforçou que, embora a análise da trajetória pregressa dos postulantes seja relevante, a superação da corrupção depende essencialmente de diretrizes claras para o futuro da gestão pública. Para o diretor, o eleitorado brasileiro tem plena legitimidade para exigir respostas objetivas sobre as medidas que serão adotadas para mitigar práticas ilícitas ao longo do próximo mandato presidencial, transformando o tema em uma política pública permanente e fiscalizável.
A Transparência Internacional – Brasil já formalizou o envio da Carta-Compromisso aos concorrentes ao Palácio do Planalto e informou que tornará públicas as respostas recebidas de cada campanha para dar total transparência ao processo eleitoral.
Fonte:: transparenciainternacional.org.br


