SaferNet aciona anpd contra o telegram por links ativos de abuso infantil

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A organização não governamental SaferNet, reconhecida por sua atuação na defesa dos direitos humanos no ambiente digital, protocolou formalmente junto à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) um levantamento detalhado contendo mais de mil endereços ativos na plataforma Telegram com fortes indícios de armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil.

A iniciativa faz parte de um monitoramento contínuo conduzido pela entidade entre os anos de 2017 e 2026. Os dados que embasaram a denúncia foram coletados por meio da central de atendimento mantida pela instituição na página eletrônica www.denuncie.org.br, canal voltado para o recebimento de reportagens da sociedade civil sobre crimes e violações na internet.

No total, a instituição encaminhou à autoridade de proteção de dados um montante expressivo de 14.969 links associados ao aplicativo de mensagens. Esse escopo abrange não apenas o material de exploração infantojuvenil, mas também conteúdos voltados para a comercialização de entorpecentes, venda ilegal de armas de fogo, esquemas de fraudes e golpes financeiros, além de publicações que incentivam a automutilação.

De acordo com o balanço divulgado pela organização, dos quase 15 mil endereços mapeados ao longo da série histórica, uma parcela significativa já havia deixado de existir ou foi retirada do ar pelo próprio ecossistema digital. Do total monitorado, 8.160 links já se encontravam inexistentes no momento da auditoria e 4.851 correspondiam a convites que haviam sido revogados. Contudo, o ponto crítico da denúncia reside no fato de que mais de mil links contendo material explícito de violência contra menores continuavam acessíveis e operacionais.

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A entidade aponta que a utilização da plataforma para a circulação desse tipo de conteúdo ilícito é um problema recorrente e de longa data. Em relatórios divulgados anteriormente, referentes a 2024, a organização já havia alertado que mais de um milhão de usuários do aplicativo estavam integrados a redes e comunidades digitais voltadas para a comercialização de mídias com conteúdo de abuso contra menores.

Um desdobramento analítico do levantamento atual revela que, dos 1.093 pontos ativos que ainda apresentam suspeitas de infrações graves, a distribuição ocorre em diferentes formatos dentro da arquitetura do aplicativo. Do total de endereços problemáticos, 518 referem-se a perfis individuais de usuários ou contas automatizadas (robôs), 256 correspondem a links de convite ativos, 192 são canais de transmissão pública e 127 operam na modalidade de grupos fechados ou abertos.

Os registros estatísticos compilados pela SaferNet demonstram que o volume de notificações e alertas experimentou uma curva ascendente acentuada a partir de 2022. A situação atingiu o ápice da série histórica em julho de 2026, evidenciando que os padrões problemáticos identificados em anos anteriores não apenas persistem, como continuam a apresentar trajetórias de agravamento no cenário nacional.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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