Conselho do MPF avalia abertura de investigação contra procurador-geral Paulo Gonet

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Gustavo Moreno/STF

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne nesta sexta-feira (25) para deliberar sobre a abertura de uma investigação formal contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O procedimento ocorre após o nome do chefe do Ministério Público Federal ser citado em diálogos extraídos de aparelhos celulares apreendidos pela Polícia Federal (PF) no âmbito de investigações que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A sessão deliberativa está agendada para ter início às 10h e contará com transmissão ao vivo pelo canal do MPF no Youtube. Como Paulo Gonet acumula a função de presidente do CSMPF, a condução dos trabalhos ficará a cargo do vice-presidente do colegiado, Nicolau Dino.

Após a abertura oficial da reunião, o subprocurador Francisco Sanseverino, que atua como relator do caso, fará a apresentação formal da matéria. Na sequência, o tema será submetido à votação, contando com a participação de outros oito conselheiros com direito a voto.

Caso a maioria dos membros do conselho decida pela instauração do procedimento, um novo subprocurador será designado para conduzir a apuração de suposto crime comum atribuído a Gonet. Por outro lado, se a maioria rejeitar a proposta, o caso será arquivado definitivamente.

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Origem das citações e desdobramentos

O nome de Paulo Gonet passou a integrar o escopo das apurações após a análise de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, que se encontra preso. O material veio a público depois que o ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo de trechos da investigação que continham comunicações enviadas pelo ex-banqueiro a um número de telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com os relatórios da Polícia Federal, Vorcaro intensificou o envio de mensagens para o contato associado a Moraes nos dias que antecederam sua prisão, efetuada em 17 de novembro do ano anterior.

Em uma mensagem datada de 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro expressou apreensão com o avanço das diligências conduzidas pela corporação, que tramitavam inicialmente na primeira instância da Justiça Federal em Brasília, mencionando diretamente o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues.

Na ocasião, o executivo escreveu no aplicativo de mensagens: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”. Apesar do registro da citação, os investigadores ressaltam que não há elementos probatórios que indiquem qualquer tipo de interferência por parte de Gonet ou de Andrei Rodrigues nas frentes de apuração.

Registro fotográfico e contestações jurídicas

A exposição do caso ganhou novos capítulos quando o jornal O Globo divulgou um registro fotográfico no qual Paulo Gonet aparece fumando charuto ao lado de Daniel Vorcaro e de outras pessoas associadas ao ex-banqueiro. A imagem foi captada em abril de 2024, durante um evento de natureza jurídica promovido pelo Banco Master em Londres.

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Diante da repercussão das conversas, a defesa de Paulo Gonet acionou o Supremo Tribunal Federal com um pedido de anulação do relatório elaborado pela Polícia Federal que trouxe as menções à tona. Os advogados do procurador-geral argumentaram que o ministro André Mendonça teria adotado procedimentos irregulares ao aprofundar a investigação sobre o caso Master com o intuito de esmiuçar os diálogos entre o ex-banqueiro e autoridades.

No entendimento da chefia do Ministério Público Federal, a ampliação daquela apuração exigiria prévia autorização do plenário da Suprema Corte. A análise do pedido de nulidade estava pautada para ocorrer em uma sessão anterior, mas a deliberação acabou sendo retirada da pauta.

Em manifestações públicas divulgadas após a divulgação das conversas, Paulo Gonet negou qualquer grau de proximidade com Daniel Vorcaro, classificando sua interação com o ex-banqueiro como um episódio de caráter estritamente “brevíssimo e banal”.

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Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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