As palavras “corrupção” e “corrupto” dominaram grande parte das discussões entre os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate realizado pela Band no domingo (18/10). No entanto, apesar da alta frequência com que os termos foram mencionados ao longo do evento, os concorrentes deixaram de apresentar planos de governo e propostas objetivas para combater o problema no país.
O substantivo “corrupção” apareceu 12 vezes nas falas dos postulantes ao Palácio do Planalto. Desse total, 11 menções vieram de Flávio Bolsonaro e apenas uma foi feita por Luiz Inácio Lula da Silva. O senador utilizou o termo para direcionar críticas diretas ao atual presidente e relembrar escândalos de gestões anteriores do Partido dos Trabalhadores. Durante suas intervenções, Flávio também aproveitou para enaltecer ex-integrantes da Operação Lava Jato que acompanhavam o evento no auditório, a exemplo de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, além de acusar o adversário de abrigar em cargos públicos pessoas condenadas por irregularidades no passado.
Em sua única menção direta à palavra durante o confronto televisionado, Luiz Inácio Lula da Silva desafiou o oponente a abrirem conjuntamente seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos para que a população pudesse fiscalizar as movimentações financeiras de ambos. Já o termo adjetivo “corrupto” foi contabilizado cinco vezes. Quatro delas foram ditas por Flávio Bolsonaro, que exibiu uma anotação escrita na palma da mão com destaque para a sigla do PT inserida no centro da palavra. Lula repetiu o desafio para que documentos financeiros fossem entregues à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal (STF), com o intuito de esclarecer quem de fato cometeu ilicitudes perante o eleitorado.
Banco Master e escândalo do INSS entram no centro das discussões
Outros temas de forte repercussão nacional também ganharam espaço considerável no debate televisivo. O caso envolvendo o Banco Master foi citado 19 vezes, enquanto o escândalo relacionado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi mencionado em outras sete ocasiões pelos candidatos.
O tema do Banco Master foi introduzido majoritariamente por Flávio Bolsonaro, que abordou o assunto em 12 oportunidades. O senador questionou encontros entre Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Daniel Vorcaro e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de mencionar um suposto repasse financeiro de R$ 30 milhões ao Instituto Lula e tecer críticas à atuação da Polícia Federal.
Em resposta, o atual presidente trouxe o caso à tona sete vezes, apontando um suposto repasse de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro. Lula também mencionou a aquisição de uma residência avaliada em R$ 10 milhões enquanto o adversário recebia remuneração como parlamentar, ressaltando que foi durante sua própria gestão que o empresário acabou sendo detido. O chefe do Executivo cobrou esclarecimentos sobre o montante milionário em diversos momentos da transmissão.
Por sua vez, o escândalo do INSS apareceu seis vezes nas falas de Flávio Bolsonaro, que denunciou supostos desvios de R$ 5 milhões direcionados a aposentados e mencionou figuras como Frei Chico, irmão de Lula, e o personagem conhecido como o “Careca do INSS”. Luiz Inácio Lula da Silva rebateu o argumento ao pontuar que o esquema investigado operava desde a administração anterior e que a organização criminosa foi desmantelada pela Polícia Federal sob a tutela de seu governo.
Cobrança por uma agenda oficial de integridade pública
A carência de diretrizes claras para a prevenção e o combate à corrupção — cenário que já vinha se desenhando ao longo da campanha eleitoral de 2026 — motivou a Transparência Internacional – Brasil a divulgar uma Carta-Compromisso voltada aos candidatos à Presidência. O documento foi tornado público na segunda-feira (19).
O material engloba 15 diretrizes focadas na ampliação da transparência estatal, na defesa do espaço cívico, na qualificação do sistema de justiça, na reformulação dos critérios de indicação para tribunais superiores e agências reguladoras, na repressão à lavagem de dinheiro, na responsabilidade fiscal, na fiscalização de emendas parlamentares e na salvaguarda das estruturas democráticas.
O texto foi formalmente remetido aos concorrentes ao cargo máximo do Executivo federal para que possam avalizar o compromisso público com a probidade administrativa e a redução de vulnerabilidades que favorecem desvios de recursos públicos.
“O Brasil assistiu a um debate sobre corrupção sem ouvir propostas contra a corrupção. Viu um debate sobre culpados, não sobre soluções. O combate à corrupção não pode existir apenas como ataque político. Precisa existir como agenda de governo. A Carta-Compromisso quer ajudar a preencher essa lacuna e oferecer aos eleitores critérios objetivos para avaliar o que cada candidatura propõe e como se compromete a enfrentar um dos problemas que mais prejudicam nosso país”, declarou Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional – Brasil.
Fonte:: transparenciainternacional.org.br


