Governo de SP aplica multa recorde de R$ 1 bilhão contra Fast Shop

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

A Fast Shop, uma das principais redes varejistas do Brasil especializada em eletrônicos, foi multada em R$ 1.040.278.141 pelo governo do estado de São Paulo. A penalidade foi aplicada após investigações realizadas pela Controladoria Geral do Estado (CGE-SP), que revelaram que a empresa ofereceu vantagens indevidas a agentes públicos, obteve benefícios tributários de maneira irregular e interferiu nas atividades de fiscalização da administração tributária estadual.

Essa multa, que supera a marca de R$ 1 bilhão, se torna a maior já aplicada no Brasil com base na Lei Anticorrupção. A quantia corresponde aos valores que a Fast Shop se beneficiou ilicitamente durante suas operações.

Contexto da Investigação

De acordo com as investigações da CGE-SP, a Fast Shop contratou a Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., que é conduzida por Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal da Receita Estadual. A consultoria foi incumbida de ajudar na recuperação de créditos tributários de ICMS relacionados ao regime de substituição tributária.

As investigações indicam que a empresa estava ciente de que informações privilegiadas estavam sendo usadas de forma inadequada, utilizando inclusive o certificado digital da própria Fast Shop para essas operações. O governo estatal detalhou: “A atuação envolvia promessas de facilitação de processos tributários, proteção contra fiscalizações e intermediação de operações que visavam monetizar créditos tributários.” Além disso, ficou evidenciado que a Fast Shop conseguiu créditos tributários indevidos que totalizam R$ 1,04 bilhão, através de uma prática chamada mineração de dados fiscais, onde foram prospectados e homologados créditos tributários de forma irregular, utilizando informações às quais a empresa não deveria ter acesso.

- Publicidade-

Na análise, os créditos examinados somaram aproximadamente R$ 1,59 bilhão, sendo que a quantia superior a R$ 1,04 bilhão foi obtida por Silva Neto utilizando dados obtidos ilegalmente. Essa situação resultou em uma vantagem indevida para a empresa e em um considerável prejuízo para o Tesouro do Estado. Por esse motivo, a multa aplicada foi equivalente ao total da fraude identificada.

Operação Ícaro

A ação teve sua origem na Operação Ícaro, que foi deflagrada no dia 12 de agosto de 2025 pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Essa operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Recuperação de Ativos e Repressão aos Crimes de Formação de Cartel e Lavagem de Dinheiro (GEDEC).

Em uma nova etapa das investigações, no dia 15 de setembro do ano anterior, foi homologado um Acordo de Não Persecução Penal entre o MPSP, dois sócios da Fast Shop e o diretor estatutário da empresa. Como parte desse acordo, eles concordaram em pagar um total de R$ 100 milhões a título de prestação pecuniária penal.

Em abril, o GEDEC enviou à Secretaria de Estado da Fazenda e do Planejamento uma série de recomendações visando aprimorar os procedimentos de ressarcimento de ICMS, especialmente no que diz respeito ao sistema e-CREDAC, com o objetivo de prevenir riscos de corrupção e fortalecer controles internos.

A Agência Brasil entrou em contato com a Fast Shop para obter um posicionamento sobre a situação, mas até o momento, não obteve retorno.

- Publicidade-

Essa situação levanta questões sérias sobre a integridade das operações da empresa e seu impacto no mercado, além de trazer à tona a importância do cumprimento rigoroso das normas tributárias, especialmente em um ambiente de negócios onde a agilidade e a transparência são essenciais para a competitividade.

Os desdobramentos deste caso e suas implicações para a legislação e práticas de mercado continuarão sendo monitorados pelas autoridades competentes e pela sociedade civil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

- Publicidade-
Compartilhe esta notícia