Governo federal define modelo de parceria público-privada para a nuvem nacional com exigência de capital brasileiro

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A implantação da chamada nuvem brasileira, iniciativa anunciada recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado do Rio Grande do Norte, seguirá o modelo de parceria público-privada (PPP). No entanto, o projeto trará uma diretriz fundamental para a sua execução: a exigência de participação de capital nacional por parte das empresas parceiras que desejarem integrar o empreendimento tecnológico estatal.

A confirmação foi detalhada pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, durante entrevista concedida à CDTV no decorrer do evento Febraban Tech 2026. De acordo com a chefe da pasta, a estrutura regulatória e os percentuais exatos dessa exigência de capital ainda estão em fase de estudos e consolidação técnica. “Só não definimos qual será esse percentual”, pontuou a ministra durante a conversa.

Cronograma e participação do mercado

Como parte dos trâmites para viabilizar a iniciativa, o governo federal agendou para o dia 3 de setembro a realização de uma audiência pública em formato virtual. O encontro tem como principal objetivo atrair e ouvir as empresas, entidades e especialistas interessados em contribuir para a construção e o aprimoramento da infraestrutura da nuvem soberana do país.

- Publicidade-

Esther Dweck fez questão de ressaltar que o estágio atual da proposta permanece focado na escuta ativa do mercado e na coleta de contribuições técnicas. Após essa etapa de debates e consultas públicas, a equipe econômica e os técnicos do governo iniciarão a fase de modelagem definitiva do projeto, com a meta de lançar o edital oficial de licitação até o final deste ano. A ministra enfatizou ainda que o andamento do cronograma seguirá independentemente do contexto político ou dos resultados das próximas eleições, classificando a iniciativa como uma política de Estado de longo prazo.

Atuação de estatais e o supercomputador de inteligência artificial

Durante a entrevista, a ministra também foi questionada sobre o papel de empresas públicas de tecnologia da informação na nova estrutura, como a Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás) e a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). A resposta foi afirmativa, indicando que ambas poderão atuar de maneira relevante, com foco especial no desenvolvimento de soluções tecnológicas avançadas e na prestação de serviços voltados tanto para o setor público quanto para o mercado privado.

Outro ponto de destaque abordado por Esther Dweck foi a aquisição do novo supercomputador dedicado a aplicações de inteligência artificial (IA). A respeito da licitação para este equipamento de alto desempenho, a ministra esclareceu que o processo de contratação será aberto e flexível, permitindo a participação de qualquer fornecedor global, sem restrições quanto à origem multinacional das empresas concorrentes.

Contudo, a gestão operacional e estratégica do supercomputador será rigorosamente nacional. A responsabilidade por administrar a ferramenta ficará a cargo do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), sediado no estado do Rio Grande do Norte, assegurando controle soberano sobre a infraestrutura e os dados processados. Assista abaixo à íntegra da entrevista concedida pela ministra para mais detalhes sobre os rumos da tecnologia da informação no âmbito federal.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

- Publicidade-
Compartilhe esta notícia